24 Setembro 2010

A Completude da Intenção

Uma das coisas que são surpreendentes na descrição do Caminho Óctuplo (que o Buddha considerou como as coisas essenciais a serem praticadas por qualquer um que almeje o despertar) é que, curiosamente, noções como compaixão ou amor não estão presentes. Será que essas duas virtudes simplesmente não são necessárias quando falamos de caminho para a iluminação? Ou será que existe algo que não sabemos sobre o Caminho Óctuplo?

Dos 8 elementos do Nobre Caminho ensinado pelo Buddha, a Intenção Completa figura como a entrada da ação ética de um lado e o resultado da compreensão genuína de outro. Mas geralmente quando ela é descrita, apenas afirmações genéricas sobre ter "boas intenções" ou "bons pensamentos" são mencionadas. Nesse fim de semana estaremos em um workshop em Curitiba, com aulas e prática de meditação, vendo o modo tradicional de se entender esse fator, bem como formas de praticar a Intenção Completa, também traduzida geralmente como Pensamento Correto ou Aspiração Correta, compreendendo a máxima de que as intenções precedem nossas ações e determinam nossa felicidade.

Cinco aulas do workshop de Curitiba (sexta, sábado e domingo) serão transmitidas ao vivo via internet. Inscrições podem ser feitas até as 17h30 horas de hoje. Confiram em:

http://nalanda.org.br/agenda/setembro-2010

21 Setembro 2010

Alegre Viajante - 4

Foi também no final de 1974 que o Dr. Rewata Dhamma recebeu o convite para dirigir um centro buddhista na Inglaterra, mas recusou por causa de seus compromissos. U Nu, o ex-Primeiro Ministro da Birmânia, então em exílio, veio a saber a respeito disso e convenceu o relutante acadêmico a mudar sua decisão. Muito antes de deixar a Birmânia, U Nu relembrava, havia uma previsão de que o jovem monge se estabeleceria no ocidente. O Dr. Rewata Dhamma supunha que sua ida para Varanasi era o que se queria dizer. Agora ele havia sido persuadido de que era a Inglaterra, e não a Índia, seu objetivo final. E assim partiu para Birmingham em 1975.

Começar tudo de novo numa terra estranha necessitou coragem e humildade. Na época, Bhante se aproximava da meia-idade e apesar de seu conhecimento do inglês escrito ser bom, ele nunca aprendeu a falar bem. Ele não tinha monastério para o qual ir e muito poucos amigos neste novo país. Havia também o imenso contraste entre o clima tropical com o qual estava acostumado e o incerto clima britânico. Bhante disse certa vez que isso era um grande professor sobre a impermanência e conferia as mais convincentes lições de Dhamma. Se não estivesse já convencido dessa verdade cardinal e fosse um leal filho do Buddha, ele jamais teria vindo.

Na época em que chegou havia poucos monges estabelecidos fora de Londres. O Dr. Rewata Dhamma foi portanto um pioneiro daquilo que hoje é comum. Primeiramente ele ficou em um apartamento separado do Soto Zendo de Vajira Bailey, nas imediações de Birmingham. Depois disso, um apartamento foi providenciado para ele no centro de meditação de Oakenholt em Farmoor, nas imediações de Oxford, que a família Saw então dirigia. Foi lá que encontrou novamente com Aung San Suu Kyi (então casada com um professor universitário), tal como relatou muitos anos mais tarde em uma entrevista para a revista japonesa Isto é Yomiuri:

A primeira vez que encontrei Aung San Suu Kyi foi durante o começo da década de 1960, no Parque das Gazelas em Isipatana, perto de Varanasi, onde o Buddha Gotama pregou seu Primeiro Sermão. Suu Kyi veio a Varanasi com sua mãe, Daw Khin Kyi, então embaixadora de Myanmar na Índia. Estavam lá para realizar deveres religiosos. Eu e meus companheiros monges nos consideramos bastante afortunados sermos capazes de nos encontrar com a família do antigo general Aung San, o qual era um herói da luta pela independência de Myanmar em relação aos birtânicos.

A mãe de Suu Kyi generosamente convidou os monges para visitar sua residência em Nova Delhi, então sempre que eu ia lá, visitava Daw Khin Kyi e costumava ver sua filha de tempos em tempos. Uma coisa que notei realmente sobre Aung San Suu era que, apesar de jovem, ela já era uma pessoa notavelmente determinada e consciente.

Em 1978, encontrei-a novamente, desta vez em Oxford, quando Sua Santidade o XVI Karmapa veio visitar o Centro Buddhista de Oakenholt, onde eu vivia na época. Aung San Suu Kyi, seu marido e seus dois filhos pequenos estavam entre os convidados. Ela falou comigo em birmanês e disse que era a filha de Aung San, e me deu seu endereço em Park Town, Oxford, onde costumei visitá-la de tempos em tempos. Sempre que dava aulas em Oxford ela sempre vinha de bicicleta para me ver. Minhas primeiras impressões de seu caráter quando era jovem permaneceu sem se modificar à medida que a conheci melhor nesse período de cerca de cinco anos
’.

17 Setembro 2010

A Completude da Compreensão

Dentre as oito práticas propostas pelo Buddha em seu famoso Nobre Caminho Óctuplo, a chamada Compreensão Correta é curiosamente a menos abordada. Também traduzida como Visão Correta, essa é a primeira prática a figurar na descrição do Caminho Óctuplo, o que por si só garantiria uma preeminência mas, no entanto, a tendência é considerá-la como uma mera compreensão daquelas doutrinas básicas do Buddhismo. Será mesmo assim? Será que preenchemos esse primeiro requisito meramente lendo livros sobre Buddhismo ou essa compreensão pode envolver outras coisas que geralmente não levamos em consideração? Qual é a noção clássica desse primeiro fator do Caminho Óctuplo e como podemos acrescentar uma nova dimensão em nosso entendimento no topo dessa noção clássica?

Note-se que chamo de "prática" os fatores do caminho óctuplo, o que já indica que esse primeiro fator não consiste simplesmente de uma teoria. Mas será que também nossa noção de "prática" poderia estar contaminada pelo mesmo entendimento ordinário que contamina nossa noção do que seja uma compreensão? E o que dizer da palavra "samma", que pode significar "correto", mas mais precisamente significa "completo"?

Esses são alguns do tópicos que vou apresentar nesse fim de semana em São Paulo. Um dos temas mais fascinantes para mim é como o entendimento que temos do Buddhismo pode ser tão influenciado pela nossa própria cultura, educação moderna e conformação psicológica que pode levar a uma completa inapreensão do que o Buddha quis dizer originariamente. Interpretamos palavras chaves como se o Buddha pensasse da mesma forma que nós e usasse as palavras nos mesmos sentidos com os quais crescemos na cultura ocidental moderna. Você sabe, por exemplo, o que são as noções de estar presente, alma, eu ou realidade na cultura ocidental moderna e no Buddhismo?

Nesse fim de semana, então, além de vermos como que tradicionalmente é visto o primeiro fator do Caminho Óctuplo, vamos poder discutir também todas as más concepções que temos e que pensamos que é o Buddhismo, a questão das adaptações, a ilusão do presencialismo dominante na comunidade buddhista, as noções de via positiva e via negativa, etc.

Enquanto isso será desenvolvido nas tardes do sábado e domingo, nas manhãs vamos focar mais na meditação, tanto em instruções como também no entendimento de certas noções chaves que nos permitam "entender" o que estamos fazendo. Quem estiver passando por São Paulo, apareça!

16 Setembro 2010

Alegre Viajante - 3

Dalai Lama e Ven. Rewata Dhamma
Residir na Índia deu a ele a oportunidade de entrar em contato com todos os tipos de pessoas. Ele fez parte do comitê que deu as boas-vindas ao Dalai Lama quando de sua fuga para a Índia em 1969, o que levou a uma amizade duradoura. Ele contou a história de seu primeiro encontro com Sua Santidade, a qual havia perguntado quem era o monge sênior que estava no quarto. Ao ouvir que era o Dr. Rewata Dhamma, ele imediatamente se levantou e ofereceu seu assento. De fato, ele veio a realizar tal oferta repetidas vezes depois, mas Bhante nunca aceitou. ‘Ele era o regente do Tibet e eu um humilde monge’, ele explicava. Ainda assim, ele elogiou o Dalai Lama pela observação dessa regra monástica [1].

XVI Karmapa
O Dr. Rewata Dhamma também parecia ter laços de amizade com vários monges exilados do Tibet que então estudavam na Índia, alguns dos quais ele veio mais tarde a encontrar novamente no ocidente. O mais significativo para seu futuro foi conhecer Frieda Bedi, que veio a se ordenar como monja Karma Kagyu sob o nome de Irmã Palmo. Subsequentemente ela se uniu ao grupo de Sua Santidade Gyalwa Karmapa XVI, o líder da escola Karma Kagyu do Buddhismo Tibetano, e mencionou o Dr. Rewata Dhamma quando da intenção do Karmapa de estabelecer um Centro Buddhista em Birmingham.

Goenka-ji
O mestre laico de meditação S.N. Goenka também viveu na Índia. De origem birmanesa, ele pertencia a uma família de mercadores que se orgulhava de sustentá-lo em seu trabalho. Naquela época, quarenta anos atrás, havia poucos no ocidente que sabiam quem ele era. Tendo ouvido sobre a reputação do Dr. Rewata Dhamma em termos de sua erudição quanto ao Abhidhamma, Goenka se aproximou dele para ser instruído. Bhante propôs uma barganha, ele o ensinaria o Abhidhamma e em retorno seria instruído no método de meditação de Goenka. Existiram aqueles que franziram a testa por causa de um monge se dirigir a um laico para receber ensinamentos, mas Bhante não se incomodava. Para ele, aprender algo novo era mais importante que sua dignidade pessoal. Devido a isso, o Dr. Rewata Dhamma foi reconhecido como um professor de tal método e através dos anos recebeu as boas-vindas nos centros de Goenka nos três continentes.

Aung San Suu Kyi
Entre outros que Bhante conheceu nessa época foi Aung San Suu Kyi, então com onze anos de idade, e futura líder do movimento democrático na Birmânia. Sua mãe era, na época, embaixadora na Índia. Curiosamente, a então Primeira Ministra da Índia, Indira Ghandhi, pediu a ele para ir a Pequim em 1974 a fim de estar presente no leito de morte da mãe do príncipe Sihanouk do Camboja. Seu objetivo secreto enquanto estava por lá era o de conquistar o apoio da China para a conferência de paz a ser realizada na Índia após os recentes testes nucleares. Embora melhorias nas relações sino-indianas não ocorressem até dois anos mais tarde, é possível marcar a partir desse ponto o começo de seu envolvimento com os processos de paz e reconciliação.

[1] nota do tradutor: segundo a regra monástica um monge mais novo sempre cede o assento e se inclina para alguém há mais tempo ordenado. O Ven. Rewata Dhamma era sênior em relação ao Dalai Lama.

12 Setembro 2010

Seis Livros

Para quem gosta de ler, e passou a vida acumulando livros, de tempos em tempos acontece de se olhar para as estantes e perceber que vários desses livros simplesmente não foram lidos, por melhores que sejam, mas apenas lá permanecem, à espera de quem sabe 'um dia' serem redescobertos com aquele mesmo interesse do olhar que uma vez os captou. São livros demais, tempo cada vez de menos, e várias outras prioridades, inclusive literárias também. E de tempos em tempos acontece de nos perguntarmos: "E então? Fazer o quê?"

Então nessa semana ocorreu-me a idéia, e posto aqui como sugestão de uma nova tentativa de redescobrir alguns desses livros. Porque não escolher 6 livros, um para cada dia da semana (um dia livre de intervalo), a serem lidos (ou relidos), revisitados, degustados somente naquele dia específico. Talvez um capítulo a cada dia ou o que for possível. Os seis deverão ser parte de categorias diferentes, mantendo a diversidade do input intelectual, evitando o tédio, ampliando perspectivas. Tais seis livros em seis categorias, claro, não precisarão incluir aqueles da rotina normal (aqueles que regularmente queremos | precisamos ler em nossa área ou atuação), nem precisam excluir outras leituras, mas são apenas uma tentativa de colocar um pouco mais de organização nas coisas.

Para começar, quais seriam boas categorias a escolher? Eis uma sugestão:
  1. Segundas-feiras (sempre um dia mais animado para mim), comecemos com: simbolismo|metafísica
  2. Terças-feiras: psicologia e terapias
  3. Quartas-feiras: temas da ciência
  4. Quintas-feiras: um pouco de poesia|literatura
  5. Sextas-feiras: filosofia
  6. Sábados: biografia|relatos de vida

Cada pessoa, claro, poderá criar sua própria combinação. Bem, uma vez definidos os temas, então é hora de escolher os livros. Aí vão os meus seis livros escolhidos para começar em cada categoria, que espero poder degustar, com vagar e interesse à medida que o tempo permitir, um pouco de cada, a cada dia:

  1. uma releitura do excelente Methaphysics de A.K.Coomaraswamy. 'The Vedanta and the Western Traditions' parece um ótimo capítulo para começar nesta segunda-feira.
  2. uma releitura de Bio-Spirituality de Campbell & McMahon, uma adaptação das técnicas de focusing numa perspectiva da espiritualidade ocidental.
  3. um livro há muito guardado e nunca lido, The End of Science de John Horgan, onde o autor reflete sobre a possibilidade de a Ciência estar chegando ao seu final criativo. O New York Times Book Review o definiu como uma "maravilhosa introdução concisa aos grandes hits científicos dos últimos 15 ou 20 anos", e consiste de um conjunto de entrevistas com vários cientistas de ponta da atualidade.
  4. começarei com um pouco de poesia contemporânea americana buddhista com Beneath a Single Moon, uma coletânea de 45 poetas americanos influenciados pelo Buddhismo.
  5. para relaxar na sexta, nada como o filósofo romano do primeiro século, Sêneca, com duas de suas obras: Sobre a Tranquilidade da Alma e Sobre o Ócio.
  6. por fim, no sábado, viajar um pouco com Tiziano Terzani, no best-seller italiano Um Adivinho Me Disse. Em 1976, enquanto vivendo em Hong Kong, o jornalista Tiziano recebeu o conselho de um adivinho chinês: "Em 1993 você corre grande risco de morrer. Nesse ano não voe. Não voe de jeito nenhum". O fatídico ano chegou, e nosso repórter decidiu seguir o conselho do velho adivinho, o que o levaria a uma fantástica viagem de descoberta da Ásia por terra e mar. Aliás, teria acontecido algo que confirmasse a previsão do adivinho? Só lendo o livro. A resposta já está no primeiro capítulo.
Não sei se conseguirei seguir fielmente isso, nem por quanto tempo, mas fica a idéia para outros também tentarem. Que se leia um pouco todos os dias. Que se use menos internet, celular, tv, twitter... Para um país onde sete em cada dez pessoas não sabem ler corretamente, um pouco de leitura não fará mal. Realmente nem um pouco mal.

E como inspiração, deixo-vos com uma passagem do Tiziano Terzani: "A profecia era desculpa. A verdade é que alguém aos 55 anos, tem uma grande vontade de acrescentar uma pitada de poesia na própria vida, de olhar para o mundo com novos olhos, de reler os clássicos, de redescobrir que o sol nasce, que existe lua no céu e que o tempo não é só aquele medido pelos relógios. Essa era a minha chance e não podia deixá-la escapar". Então, arregacem as mangas, escolham suas aventuras e, se quiserem, comentem nesta folha a vontade que surgiu, ou as listas que fez, a partir do que acabaram de ler.

11 Setembro 2010

Steve Martin e a Diligência

Na última quarta começamos mais uma Leitura Guiada. As Leituras Guiadas são experiências de trazer a leitura de materiais buddhistas para o ambiente virtual onde a leitura possa ser feita em grupo e com orientação. Nesta semana começamos a tratar do tema da "diligência" com base no segundo capítulo do Dhammapada. A diligência é uma coisa fundamental no caminho e não é à toa que as últimas palavras do Buddha antes de morrer foram exatamente a respeito do cultivo dessa virtude. Diligência é cuidado, zelo, atenção vigilante constante.

O comentário de um dos livros do Cânon diz o seguinte sobre aquilo que é o oposto da diligência:

Então, o que é a negligência? O abandono, o abandono e desistência, da mente em relação à má conduta corporal, verbal ou mental, ou em relação aos cinco veios dos sentidos, ou ainda, a atividade descuidada, a atividade não perseverante, a atividade intermitente, o hábito de se conter ('ficar com um pé atrás', não colocar toda energia em algo), colocar de lado o almejar, colocar de lado a tarefa, não perseguir, fracasso em fazer surgir, fracasso em fazer crescer, falta de resolução, falta de propósito, negligência, no que se refere ao trazer à existência os estados habilidosos; qualquer negligência (pamado) negligenciar, descaso, tal forma é tomada como negligência.

Dois anos atrás, o famoso comediante americano Steve Martin publicou sua autobiografia chamada "Born Standing Up". Seu interesse principal não foi o de relatar fatos de sua bem sucedida carreira, mas sim como alcançou o sucesso. Estando interessado na tecnologia do sucesso e não nos resultados, suas descobertas se tornam mais interessantes para nós, pois de nada adianta sabermos o que queremos realizar se não soubermos como realizar. E isso pode ser aplicado em todos os campos da atividade humana e não apenas na carreira artística. Cal Newport sintetiza as sugestões de Steve Martin em dois pontos: 1. busque a essência e 2. não disperse.

Steve Martin nunca se cansava de buscar a essência do que é ser engraçado, tentando inovar, compreender, testar o que funcionava e o que não funcionava. É aquele impulso fundamental de não se acomodar e sempre tentar compreender mais sobre a habilidade ou campo a que você se dedica.

Nosso tema da diligência entra na segunda sugestão: não disperse. Cal Newport sumariza assim: "O que ele realmente queria dizer é permanecer diligente en seu interesse naquele único campo|tema em que tentava atingir a maestria; ser capaz de ignorar o impulso em começar a trabalhar em outros projetos ao mesmo tempo". Isso não tem uma grande importância para nosso tema da diligência? Não foram essas duas dicas que Steve Martin captou na reflexão de sua carreira que também o Buddha seguiu fielmente? "Se você não saturar sua vida em uma única busca", diz Steve, "você diluirá seu foco a um ponto em que se tornar notável ficará para além do alcance".

Nesse caminho em que trilhamos é preciso diligência. O Buddha define diligência (appamada) como a aplicação constante da vigilância (sati). Claro, há muitas áreas a serem estudadas e praticadas, mas todas giram em torno de uma atitude comum. E se não saturarmos nossa vida nessa direção, nada de muito significativo resultará. E não é muito diferente do resto de nossa vida. Profisssão, relacionamentos, vida social, compreensões intelectuais, em qualquer campo que almejemos resultados, isso irá pressupor dedicação, zelo atencioso, diligência.

Última dica de Steve Martin: "Esqueça todas as frustrações, truques para o sucesso e preocupações. Apenas foque em se tornar bom. Realmente muito bom". E Cal complementa: "Se você não estiver 100% convencido e disposto a se dedicar a algo, potencialmente por anos, à exclusão das centenas de interessantes novas idéias que irão pipocar ao longo do caminho, você provavelmente irá amornar bem antes de colher qualquer recompensa".

10 Setembro 2010

Comida para o cérebro

Não, não são bons pensamentos e idéias de que trata essa folha, mas comida material mesmo. Eis os 10+ dentre os alimentos que nutrem e beneficiam as funções cerebrais:

  1. Blueberries
  2. Nozes
  3. Salmão
  4. Abacate
  5. Ovos
  6. Espinafre e outros da mesma família
  7. Chá verde
  8. Grãos integrais
  9. Feijão roxo ou mulatinho
  10. Chocolate amargo
 Que saber mais? Confira aqui

07 Setembro 2010

Alegre Viajante - 2

o templo em Birmingham que mais
tarde veio abrigar as relíquias
Devotando-se à educação mais ortodoxa, o jovem estudante passou no exame superior em escrituras buddhistas com a idade de 23 anos. Parcialmente como resultado de sua conquista ele foi incluído entre os jovens monges que ajudaram na organização do Sexto Concílio Geral da Sangha, o qual ocorreu em Yangon entre 1954 e 1956. A ele foi conferida uma bolsa de estudos do estado para poder estudar na Índia e assim ele foi para a Sanskrit University em Varanasi. Foi neste período que acrescentou ‘Dhamma’ a seu nome quando requisitou seu passaporte. Ao conquistar seu grau de Shastri (BA) em Filosofia Buddhista Mahayana, ele prosseguiu para um mestrado (MA) em Sânscrito em 1964 e um doutorado (PhD em 1967). Proficiente em híndi, ele começou, na época, a escreveu nessa língua. Um de seus livros, uma tradução do Abhidhammatha Sangaha com seu próprio comentário, recebeu o prêmio Kalidasa da Academia Híndi, como um dos livros notáveis de 1967, e até hoje é um manual básico de estudo acadêmico. Ele também editou uma edição em três volumes do Caminho para a Purificação (Visuddhimagga) com comentário, publicado primeiramente pela Sanskrit University. Em 1969 foi indicado como Editor Chefe da Enciclopédia de Termos Técnicos Buddhistas e mais tarde editou a revista Paramitta em híndi e inglês.

Em 1964 outro evento ocorreu, o qual mais tarde teria importantes repercussões. Naquele ano, o jovem acadêmico tornou-se proprietário de relíquias da realeza birmanesa. Thibaw, o último dos reis da Birmânia, havia sido exilado na Índia em 1886, e levou com ele o tesouro da família. No começo do século vinte, dois monges birmaneses em visita a Ratanagiri, receberam a custódia de uma porção. Um dos monges, U Kitti, repassou-a para U Arsaya, monge também birmanês que residia na Índia. Pouco antes de sua morte, U Arsaya repassou-a para o Ven. Rewata Dhamma.

04 Setembro 2010

Alegre Viajante - 1

Nas últimas folhas tenho tocado bastante no tema da gratidão. Uma das manifestações disso é a gratidão por todos aqueles que nos ensinam. E tais pessoas não faltam em nossas vidas, a começar pelos nossos pais, professores primários e todos os que nos ensinam algo até os dias de hoje. Como um tributo a esses que ensinam começo aqui nas Folhas a tradução de uma biografia de um exemplo de professor, aqui apresentada em partes, escrita por Dhammacariya Nyanaloka, amigo e aluno em comum de nosso professor Aggamahapandita Rewata Dhamma Sayadaw. 

 O Alegre Viajante

O começo do jovem Rewata não teve nada de notável. Filho de U Lu Khin e sua esposa Daw Pyant Gyi, ele nasceu no vilarejo de Thamangone, às margens do rio Irrawaddy na Birmânia. Era um garoto cheio de vida, com uma mente inquiridora que o levou a se encrencar por vezes. Na época, era costume uma criança receber uma tatuagem protetora contra mordidas de cobra. Tão logo o jovem recebeu a sua, ele decidiu testá-la apresentando seu pulso convidativamente para a primeira cobra que cruzou seu caminho. Naturalmente ela o mordeu. O mundo quase perdeu um influente professor naquele momento, pois a cobra era venenosa e não havia qualquer médico na cidadezinha de Hanthada. Mas havia um curandeiro nativo que usava mantras e isso surtiu efeito.

Ainda que o distrito de Hanthada fosse predominantemente agrícola, havia um alto grau de alfabetização por lá. Thamangone possuía uma escola primária, estabelecida pelas autoridades imperiais, assim como três monastérios onde as crianças tradicionalmente recebiam sua educação. Rewata nasceu em uma família devota e começou os estudos em um mosteiro com a idade de cinco anos, recebendo a ordenação como noviço quando tinha doze anos. No começo não se aplicou muito aos estudos e não se comportava bem. Depois de um tempo, seu professor reclamou para sua mãe, a qual, ao invés de censurá-lo, comportou-se quieta e tristemente na próxima vez que foi visitá-lo no mosteiro. Envergonhado, ele se tornou o mais diligente dos alunos. Com vinte anos ele recebeu a ordenação completa como monge.

Algumas das coisas que aprendeu não estavam entre os tipos de conquistas que a maioria dos ocidentais associa com um treinamento monástico. Tão deliciosas eram as refeições que ele preparou para um de seus professores que ele era enviado à cozinha sempre que o professor voltava para visitar o mosteiro, mesmo após receber a ordenação completa. Outro desses professores tentou realizar a cerimônia de parar as chuvas, conectada ao culto do Arahant Upagutta. O resultado de suas oferendas e invocações foi uma chuva tão severa que o altar foi arrastado para o rio, para a diversão de seu jovem assistente. Desnecessário dizer, esse episódio não foi relatado no panfleto que mais tarde escreveu sobre o tema para o mosteiro Dhammikarama de Penang.

Por outro lado, aqueles com os quais praticava, de fato atingiram os poderes paranormais que vinham da concentração jhânica. Desejando visitar um amigo monge no hospital, Rewata perguntou a um companheiro se sabia onde o amigo estava. Ele recebeu uma detalhada descrição de como encontrar a cama onde o amigo deitava, mas imediatamente desprezou o relato ao saber que o companheiro não tinha, ele mesmo, ido ao hospital. Seu ceticismo, no entanto, levou um golpe ao descobrir que a cama estava exatamente onde havia sido descrita. Em outra ocasião ele foi convidado para uma reunião da Sangha que devia decidir o que fazer com o corpo de um professor que recentemente havia morrido. Ele se sentou em meio a um silêncio, apenas quebrado pelo barulho dos rosários. Uma hora se passou e ele começou a se perguntar quando a discussão iria começar. Então todos se levantaram. ‘Está decidido então’, ele ouviu dizerem, apesar de que nem uma só palavra havia sido falada.