Alguém já disse que "As pessoas mais felizes não têm o melhor de todas as coisas, apenas aproveitam o melhor de todas as coisas que têm". Não é tremendamente verdade isso? Basta olhar para as pessoas felizes e perceber que elas são aquelas que descobriram esse simples fato. Gratidão tem a ver, então, com sabedoria: saber focar apropriadamente. Tem a ver também com respeito a todas as coisas. Quando perdemos o respeito, diminuimos o valor das coisas (incluindo pessoas e situações). Com o valor diminuído, não conseguimos ver sua importância e deixamos de ser gratos por nossa conexão com elas. Ou seja, não focamos no que há de melhor nelas, mas sempre almejamos pelas coisas melhores que acontecerão no futuro. Começa a corrida atrás do 'futuro melhor' e, claro, inalcançável. O grande mestre Ajahn Buddhadasa expressa isso de forma magistral e bem humorada: "O inferno era OK, até que um sujeito espertinho foi até o céu e voltou".
Respeitar todas as coisas é ver sua natureza pelo lado do amor. Elas então se tornam plenas, satisfatórias. O samsara da insatisfação proveniente da parcialidade da visão se extingue diante do vislumbre do nibbana presente. Tudo se torna OK, e somos capazes de, com reverência, nos prostrar e homenagear todas as coisas. Seria talvez por isso que Ayya Khema disse que "Quando sentimos gratidão, devoção e respeito, temos amor em nossos corações. Amor e respeito andam de mãos dadas com o caminho espiritual. Esses dois sentimentos são apropriados e essenciais em qualquer relacionamento que tivermos...Coração e mente devem ambos estar engajados. A mente entende e o coração ama, e a menos que tal fusão ocorra, capengaremos de uma perna".
"Nossas vidas são como a respiração, como as folhas que crescem e caem. Quando realmente entendermos sobre as folhas que caem, seremos capazes de varrer os caminhos todos os dias e nos alegrar com nossas vidas neste mundo mutável" ~ Ajahn Chah
29 Agosto 2010
25 Agosto 2010
raiva, inhames e gratidão
Quem esteve atento nessas últimas folhas já foi capaz de perceber uma conexão dos quatro temas focados: generosidade, gratidão, raiva e memória. Sofremos uma deficiência básica em nossa atenção. Temos lembranças distorcidas, focamos a atenção em lugares errados, esquecemos de quanto devemos a todos e a tudo, realçamos o negativo do passado e do presente, lembramos demais da falta, esquecemos demais do quanto devemos ser gratos. Resultado? Operamos com um nível subliminar constante de raiva, vinda de nossa ingratidão, amargura, visão parcial da vida. Sem a conexão com a bondade do outro, esquecemos também de nossa bondade e deixamos de ser generosos.
Em Inhames secos e obrigado, disse que: "Reclamamos pelo que temos, pelo que não temos, pelo que gostaríamos de ter, pelo que deixamos de ter. Reclamamos pelo clima, pela comida, pelo dinheiro, por tudo. Olhar mais profundamente as vidas ao redor e manter o contato com a natureza é uma boa forma de nos mantermos gratos". A reclamação, me parece, é o contrário de toda gratidão. É aquilo que ocorre quando esquecemos. E quando esquecemos, nós nos irritamos, enraivecemos, atacamos. Olhem para seu passado e para seu presente. Quantas razões temos para nos inclinar e agradecer?
Ajahn Butda, um monge andarilho das florestas da Thailândia, fez uma ligação interessante entre raiva e gratidão: "Sempre que fico com raiva, me levanto e me prostro três vezes. Se fico com raiva duas vezes, me prostrarei seis vezes. Se ficar com raiva uma centena de vezes, me prostrarei trezentas vezes, e assim até a raiva passar. Essa prática serve para inclinar a mente para o Dhamma. Sempre que a raiva surgir, prostre-se ao Buddha naquele mesmo lugar. A raiva tem medo de quem se prostra; ela não permanecerá com você".
Quantas vezes precisaremos nos prostrar hoje?
Em Inhames secos e obrigado, disse que: "Reclamamos pelo que temos, pelo que não temos, pelo que gostaríamos de ter, pelo que deixamos de ter. Reclamamos pelo clima, pela comida, pelo dinheiro, por tudo. Olhar mais profundamente as vidas ao redor e manter o contato com a natureza é uma boa forma de nos mantermos gratos". A reclamação, me parece, é o contrário de toda gratidão. É aquilo que ocorre quando esquecemos. E quando esquecemos, nós nos irritamos, enraivecemos, atacamos. Olhem para seu passado e para seu presente. Quantas razões temos para nos inclinar e agradecer?
Ajahn Butda, um monge andarilho das florestas da Thailândia, fez uma ligação interessante entre raiva e gratidão: "Sempre que fico com raiva, me levanto e me prostro três vezes. Se fico com raiva duas vezes, me prostrarei seis vezes. Se ficar com raiva uma centena de vezes, me prostrarei trezentas vezes, e assim até a raiva passar. Essa prática serve para inclinar a mente para o Dhamma. Sempre que a raiva surgir, prostre-se ao Buddha naquele mesmo lugar. A raiva tem medo de quem se prostra; ela não permanecerá com você".
Quantas vezes precisaremos nos prostrar hoje?
22 Agosto 2010
Eu me lembro...
Devido a uma falha nos cristais de dilítio ou alguma fissura no subespaço, a nave é jogada de volta para o passado. Lá, a tripulação se vê com a possibilidade de mudar seu passado. Geralmente temos um dilema aqui. Se mudarmos o passado, a linha do tempo seria perturbada e nosso presente também mudaria. Nosso presente mudado poderia ser tal que nunca existiríamos ou nunca encontrássemos a tal fissura, não voltando assim ao passado.... Ok, está confuso, né? O pior é que em todas as estórias, algum tripulante acaba fazendo alguma besteira e mudando algo que não podia mudar. E aí o capitão ou algum sujeito de orelhas pontudas tem que se virar para *consertar* o que foi feito de errado! E em geral nossos heróis lá no passado também tem uma janela de tempo para poderem consertar a coisa; ou salvar quem quer que seja. Agora responda: se você tivesse a possibilidade de mudar algo de seu passado, você mudaria?
Em o Agente Secreto do Bem falei sobre a bondade. Em Bad Bad Buddha Boy, falei sobre um oposto da bondade: a raiva. E o que falar sobre outro desses traços que incomodam tantas pessoas: o medo? O medo é uma resposta excessiva a uma certa lembrança de algum acontecimento. Nas estórias de ficção científica, os heróis se encontram com a possibilidade de mudar os acontecimentos, voltando ao passado. Dificilmente vamos encontrar uma máquina do tempo, então mudar os acontecimentos pode ser difícil. Mas, e se pudéssemos mudar a lembrança que temos deles? Mudar as emoções que associamos a um tal acontecimento? Ou nossa reação às lembranças? Seria possível mudar uma lembrança? Ela já não aconteceu?
Pois bem, num estudo da universidade de Nova York, os pesquisadores mostraram que há um modo de mudar as memórias, o que é particularmente interessante para memórias desagradáveis e associadas ao medo. Como as memórias estão associadas a acontecimentos, e estes estão associados a sensações, percepções, etc., se fosse possível mudar tais associações, as memórias já não causariam a mesma reação emocional. Mas aí que está, como mudar associações que já aconteceram? Teríamos mesmo que voltar ao passado? Não, e é aí que entra a pesquisa. Em resumo, ela mostra que quando uma memória surge novamente na mente, ou seja, quando nos lembramos dela, essa memória se torna novamente suscetível a ser modificada. Em outras palavras, ela tem um ponto fraco! E a estratégia aqui é construir novas associações quando ela surge, associá-la a *coisas* diferentes. Mas atenção! Da mesma forma que nossos heróis que voltaram ao passado, têm uma janela de tempo precisa para consertar o que foi feito de errado (e não poderíamos dizer que muito dos medos e ressentimentos consistem de erros sistêmicos em relação aos estímulos originais?), aqui também temos uma janela de tempo para reassociar as memórias antigas: seis horas. Melhor aproveitar então!
Para quem quiser saber mais sobre essa pesquisa, pode dar uma olhada nesse artigo em espanhol e outro em inglês.
Algumas outras dicas de artigos especializados:
É interessante ver a ciência estudando isso, mas, cá entre nós, isso não é uma novidade para os meditantes de vipassana e de técnicas de vigilância, pois esse é exatamente um mecanismo conhecido por eles. Todas as emoções negativas e aflitivas estão associadas a sensações e percepções, as quais criam memórias específicas. Tais memórias são reforçadas quando reagimos durante seu reaparecimento, uma vez que nossas reações tendem a seguir os mesmos padrões passados. Através do treinamento meditativo, modificamos nossa responsividade basal a sensações e percepções, o que gera uma modificação na forma das reações. Ou seja, reassociamos memórias, e portanto as emoções a elas associadas. E tudo isso ainda dentro do prazo de seis horas!
Em o Agente Secreto do Bem falei sobre a bondade. Em Bad Bad Buddha Boy, falei sobre um oposto da bondade: a raiva. E o que falar sobre outro desses traços que incomodam tantas pessoas: o medo? O medo é uma resposta excessiva a uma certa lembrança de algum acontecimento. Nas estórias de ficção científica, os heróis se encontram com a possibilidade de mudar os acontecimentos, voltando ao passado. Dificilmente vamos encontrar uma máquina do tempo, então mudar os acontecimentos pode ser difícil. Mas, e se pudéssemos mudar a lembrança que temos deles? Mudar as emoções que associamos a um tal acontecimento? Ou nossa reação às lembranças? Seria possível mudar uma lembrança? Ela já não aconteceu?
Pois bem, num estudo da universidade de Nova York, os pesquisadores mostraram que há um modo de mudar as memórias, o que é particularmente interessante para memórias desagradáveis e associadas ao medo. Como as memórias estão associadas a acontecimentos, e estes estão associados a sensações, percepções, etc., se fosse possível mudar tais associações, as memórias já não causariam a mesma reação emocional. Mas aí que está, como mudar associações que já aconteceram? Teríamos mesmo que voltar ao passado? Não, e é aí que entra a pesquisa. Em resumo, ela mostra que quando uma memória surge novamente na mente, ou seja, quando nos lembramos dela, essa memória se torna novamente suscetível a ser modificada. Em outras palavras, ela tem um ponto fraco! E a estratégia aqui é construir novas associações quando ela surge, associá-la a *coisas* diferentes. Mas atenção! Da mesma forma que nossos heróis que voltaram ao passado, têm uma janela de tempo precisa para consertar o que foi feito de errado (e não poderíamos dizer que muito dos medos e ressentimentos consistem de erros sistêmicos em relação aos estímulos originais?), aqui também temos uma janela de tempo para reassociar as memórias antigas: seis horas. Melhor aproveitar então!
Para quem quiser saber mais sobre essa pesquisa, pode dar uma olhada nesse artigo em espanhol e outro em inglês.
Algumas outras dicas de artigos especializados:
- Welberg, Leonie. Fear: A window of opportunity free
- Gregory J. Quirk, Mohammed R. Mila. Neuroscience: Editing out fear
- Daniela Schiller, Marie-H. Monfils, Candace M. Raio, David C. Johnson, Joseph E. LeDoux, Elizabeth A. Phelps. Preventing the return of fear in humans using reconsolidation update mechanisms
- Catherine A Hartley, Elizabeth A Phelps. Changing Fear: The Neurocircuitry of Emotion Regulation
É interessante ver a ciência estudando isso, mas, cá entre nós, isso não é uma novidade para os meditantes de vipassana e de técnicas de vigilância, pois esse é exatamente um mecanismo conhecido por eles. Todas as emoções negativas e aflitivas estão associadas a sensações e percepções, as quais criam memórias específicas. Tais memórias são reforçadas quando reagimos durante seu reaparecimento, uma vez que nossas reações tendem a seguir os mesmos padrões passados. Através do treinamento meditativo, modificamos nossa responsividade basal a sensações e percepções, o que gera uma modificação na forma das reações. Ou seja, reassociamos memórias, e portanto as emoções a elas associadas. E tudo isso ainda dentro do prazo de seis horas!
19 Agosto 2010
Bad bad Buddha Boy
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| "Buddha Boy" |
16 Agosto 2010
O agente secreto do bem
Cindo anos atrás, quando Folhas no Caminho surgiu, escrevi sobre Gratidão Ilimitada. Esta é uma prática essencial para desenvolver uma mente realmente saudável e, suspeito, qualquer pessoa realmente saudável tem essa qualidade do coração naturalmente presente. Meister Eckhart atinge o centro da questão quando diz: "Se a única oração que você fizer na vida for um 'obrigado', isso será o suficiente". De fato, parece que a gratidão sintetiza tudo o que há de bom no coração humano. Um ano atrás, uma jovem de 32 anos de Pittsburgh, Pennsylvania, iniciou um projeto muito interessante. Sua amiga, ao fazer aniversário, lhe disse que preferia que desse um presente para alguma ajuda fortuita em seu nome, ao invés de recebê-lo. Laura levou isso a sério e imaginou o que seria deixar presentes anônimos semanais espalhados pela cidade. Aí nasceu Agente Secreto L - Atos Aleatórios de Generosidade. Ela preparava os presentes e fotografava os lugares onde os deixava. E ainda o faz até hoje, postando em seu blog e divulgando no Twitter. Apesar de que um ano depois ela acabou por revelar sua verdadeira identidade como Agente Secreto L, Laura continua tocando esse projeto e tem até 80 "agentes afiliados" em todo o mundo, pessoas que aceitaram a missão de levar a generosidade gratuita a pessoas que certamente têm uma bela surpresa ao encontrar um presente aleatório. A generosidade por sua vez estimula o desenvolvimento de uma maior bondade. E não precisamos achar um presente anônimo à nossa porta para isso. Não conseguiríamos, na verdade, ver um sem número de motivos para nos sentirmos gratos, se apenas colocássemos um pouco mais de atenção nesse aspecto de nossas vidas?
13 Agosto 2010
conexões na web
Ontem completamos um novo aplicativo para o Facebook: Vozes da Floresta, que se destina a apresentar pequenos conselhos ou sugestões de mestres da tradição buddhista das florestas para aqueles que se inscreverem. Quem tem uma conta no Facebook pode se dirigir para este link e clicar em "ir para o aplicativo" (go to application para quem o usa em inglês). Podem sugerir para amigos, clicar em curtir e até colocar uma aba do aplicativo em seus perfis.Vozes da Floresta
Ainda no Facebook, quem quiser pode acompanhar novidades e eventos da Comunidade Nalanda em nossa página. É só clicar em se tornar fã e você receberá as notícias em seu próprio mural:
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Prefere as mensagens instantâneas do Twitter? Dirija-se aqui:
Comunidade Nalanda no TwitterE sempre temos uma série de atividades que acontecem online para aqueles que não têm condições de se deslocar frequentemente para cursos e retiros. Confira a programação em nossa seção de Prática Guiada à distância:
Prática Guiada
>Não há motivos para você se sentir isolado!
03 Agosto 2010
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