Quando David Wallace fala sobre a corrida de ratos na qual todos caímos quando deixamos a configuração default ocorrer, podemos lembrar que é exatamente a apreensão apropriada do dhamma que nos capacita escapar da aparente insignificância dos gestos e circunstâncias cotidianas, revelando o que há de importante na experiência.
Toda a idéia do texto é de que mesmo que pensemos que não cultuamos nada, nós acabamos cultuando, sim. Pode ser o dinheiro, a posição, a beleza, etc. Todos têm um ou mais deuses. Então esses 'deuses' são meio que a configuração automática, default, nossa. É para o que caímos quando não vivemos no presente, quando não estamos conscientes. Configuração default do computador, é a configuração que vem de fábrica, aquilo que automaticamente já nascemos assim, cultuando falsos deuses. É também o modo comum e ordinário de vivermos a vida.
O problema é que tais coisas nunca são suficientes. Sempre queremos mais, e sempre sentimos falta, pois realmente não são plenas. Daí Wallace falar: "O tipo realmente importante de liberdade envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e ser realmente capaz de se importar com outras pessoas e se sacrificar por elas, sempre e sempre, em míriades de formas não sexys, todos os dias."
Se não escolhemos esse caminho da atenção e do viver o presente, ao invés de viver no passado ou no futuro, então o que nos resta é a inconsciência (o não viver consciente), e ficamos eternamente achando que perdemos alguma coisa. Projetamos essa insatisfação nisso e naquilo ~ uma relação perdida, uma situação vivida, uma profissao ou posição que já não temos, ~ mas é pura projeção de uma falta que sentimos porque sempre focamos no lugar errado, focamos só na falta, uma falta que não pode ser preenchida pelas coisas que geralmente buscamos. Por isso vivemos como ratos numa gaiola, correndo por labirintos sem saída.
Que tenha sido lembrado que importar-se com os outros é algo essencial para sair da força centrípeta do ego que nos puxa para baixo é corroborado pela pesquisa de que aqueles que meditam regularmente possuem uma cérebro mais parecido com a das mães. "Amor, compaixão e equanimidade são 'habilidades' que podem ser treinadas".
"Nossas vidas são como a respiração, como as folhas que crescem e caem. Quando realmente entendermos sobre as folhas que caem, seremos capazes de varrer os caminhos todos os dias e nos alegrar com nossas vidas neste mundo mutável" ~ Ajahn Chah
29 Março 2010
27 Março 2010
22 Março 2010
A corrida de ratos
Fundamental:
"Nas trincheiras diárias da vida adulta, não há tal coisa como ateísmo. Todos adoram. A única escolha que temos é o que adoramos. Um notável motivo para escolhermos algum tipo de deus ou coisa do tipo espiritual para adorar - seja Jesus Cristo ou Allá, seja Yahweh, a deusa mãe wiccan, as Quatro Nobres Verdades ou ainda algum conjunto intangível de princípios éticos - é que quase qualquer outra coisa que você venha a adorar irá lhe comer vivo.
Se você adorar dinheiro e coisas - se eles forem aquilo em que você investe o real significado na vida - então você nunca terá o suficiente. Nunca sentirá ter o suficiente. Adore seu próprio corpo, beleza e charme sexual e você sempre se sentirá feio, e quando o tempo e a idade começarem a se mostrar, você morrerá um milhão de mortes antes de finalmente acabar... Adore o poder - você se sentirá fraco e temeroso, e precisará ainda mais de poder sobre os outros para mantê-lo seguro. Adore seu intelecto, ser visto como alguém esperto - você acabará se sentindo estúpido, uma fraude, sempre na beira de ser descoberto.
A coisa traiçoeira de todas essas formas de adoração não é que sejam maléficas ou pecaminosas; é que são configurações default. Elas são o tipo de adoração nas quais você gradualmente escorrega, dia após dia, se tornando cada vez mais seletivo sobre aquilo que vê e como mede o valor, sem nunca estar realmente alerta ao que está fazendo. E o mundo não irá desencorajá-lo por operar nas configurações default porque o mundo dos homens, dinheiro e poder se movimenta muito prazerosamente com o combustível do medo, do desprezo, da frustração, do desejo sedento e da adoração ao eu...
O tipo realmente importante de liberdade envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e ser realmente capaz de se importar com outras pessoas e se sacrificar por elas, sempre e sempre, em míriades de formas não sexys, todos os dias. Essa é a real liberdade. A alternativa é a inconsciência, a configuração default, a 'corrida de ratos' - o sentido do mascar constante sobre algo infinito que se teve e se perdeu".
--David Foster Wallace, numa palestras Kenyon College
"Nas trincheiras diárias da vida adulta, não há tal coisa como ateísmo. Todos adoram. A única escolha que temos é o que adoramos. Um notável motivo para escolhermos algum tipo de deus ou coisa do tipo espiritual para adorar - seja Jesus Cristo ou Allá, seja Yahweh, a deusa mãe wiccan, as Quatro Nobres Verdades ou ainda algum conjunto intangível de princípios éticos - é que quase qualquer outra coisa que você venha a adorar irá lhe comer vivo.Se você adorar dinheiro e coisas - se eles forem aquilo em que você investe o real significado na vida - então você nunca terá o suficiente. Nunca sentirá ter o suficiente. Adore seu próprio corpo, beleza e charme sexual e você sempre se sentirá feio, e quando o tempo e a idade começarem a se mostrar, você morrerá um milhão de mortes antes de finalmente acabar... Adore o poder - você se sentirá fraco e temeroso, e precisará ainda mais de poder sobre os outros para mantê-lo seguro. Adore seu intelecto, ser visto como alguém esperto - você acabará se sentindo estúpido, uma fraude, sempre na beira de ser descoberto.
A coisa traiçoeira de todas essas formas de adoração não é que sejam maléficas ou pecaminosas; é que são configurações default. Elas são o tipo de adoração nas quais você gradualmente escorrega, dia após dia, se tornando cada vez mais seletivo sobre aquilo que vê e como mede o valor, sem nunca estar realmente alerta ao que está fazendo. E o mundo não irá desencorajá-lo por operar nas configurações default porque o mundo dos homens, dinheiro e poder se movimenta muito prazerosamente com o combustível do medo, do desprezo, da frustração, do desejo sedento e da adoração ao eu...
O tipo realmente importante de liberdade envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e ser realmente capaz de se importar com outras pessoas e se sacrificar por elas, sempre e sempre, em míriades de formas não sexys, todos os dias. Essa é a real liberdade. A alternativa é a inconsciência, a configuração default, a 'corrida de ratos' - o sentido do mascar constante sobre algo infinito que se teve e se perdeu".
--David Foster Wallace, numa palestras Kenyon College
19 Março 2010
Um discurso do Embaixador do México
Recebido por email, pareceu interessante....
~ Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A Conferência dos Chefes de Estado da União Européia, MERCOSUL e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e historicamente exato. Eis o discurso:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica- me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros Reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a lhes reclamar, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bônus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, concluímos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.
~ Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A Conferência dos Chefes de Estado da União Européia, MERCOSUL e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e historicamente exato. Eis o discurso:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica- me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros Reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a lhes reclamar, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bônus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, concluímos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.
17 Março 2010
ser filósofo
"Ser um filósofo não é meramente ter pensamentos sutis, nem mesmo fundar uma escola, mas é amar tanto a sabedoria a ponto de viver de acordo com aquilo que ela propõe, uma vida de simplicidade, independência, magnanimidade e confiança. É solucionar alguns dos problemas da vida não apenas teoricamente, mas de forma prática". Thoureau
14 Março 2010
Campos de arroz no Japão
Belíssimos campos de arroz em Inakadate no Japão.

Quatro variedades de arroz são plantadas a cada ano, com estupendo planejamento.

A tradição nasceu em 1993 e agora atrai visitantes de todo o mundo.

O vilarejo conta com apenas 8700 habitantes, que mostram no entanto que mesmo um pequeno número de pessoas pode criar grandes obras de arte quando trabalham em conjunto.


Quatro variedades de arroz são plantadas a cada ano, com estupendo planejamento.

A tradição nasceu em 1993 e agora atrai visitantes de todo o mundo.

O vilarejo conta com apenas 8700 habitantes, que mostram no entanto que mesmo um pequeno número de pessoas pode criar grandes obras de arte quando trabalham em conjunto.

12 Março 2010
retiro de meditação em Aracaju/SE
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