31 Janeiro 2010

agir ou não agir

Incrível como dois anos fazem nos esquecer de como a Índia pode ser deliciosamente caótica, onde tudo parece ter inúmeras chances de não dar certo e, ainda assim, surpreendentemente, dar certo no final. Por entre a patética pobreza, a hipocrisia política, o caos organizacional que a tudo permeia, horizontes ao mesmo tempo penetrados por vislumbres de genuína gentileza, sorrisos singelos e uma simplicidade quase sempre involuntária mas que ainda assim se mostra contente consigo mesma, nos faz refletir sobre nosso destino, em que medida devemos empreender açoes focadas e dirigidas que o possam influenciar ou se mais sábio é esperar que a vida simplesmente se desdobre a nossa frente, sabedora de melhores soluçoes para nossos caminhos, sem expectativas ou promessas.


A doutrina buddhista do karma nos falaria claramente que esse destino é dependente de nossas açoes. Como pensamos e como agimos influencia marcantemente aquilo que iremos experienciar no futuro. Esperar que as coisas aconteçam parece indicar o caminho da indolencia, do comodismo, da preguiça. Por outro lado, as açoes podem ser tão motivadas pelos desejos e ambiçoes do ego; mesmo aquelas aparentemente boas podem trazer consigo as tendencias subjacentes que podem acabar por dobrar a realidade na direçao de uma vida mais cobiçosa, ambiciosa ou simplesmente ignorante. Agir ou não agir, influenciar e marcar a vontade ou submeter-se ao que acontece, assim como o antigo ser ou não ser, é uma daquelas questoes existenciais que não são resolvidas pelo discurso das teorias. Aqui, como em tantos outros lugares, o caminho do meio proposto pelo Buddha entra como importante medida para reflexao. Não se trata de meia açao ou meia vontade, mas, antes, de uma intençao que possa ser gentil o suficiente para não impor sua vontade sobre a realidade de formas que a realidade a rejeite. Cada situaçao pede por uma forma apropriada de agir e muito desse treinamento consiste em se tornar sensível o suficiente para perceber isso. Muito o que aprender, sempre.



Minha primeira vez por aqui foi há 23 anos. Ainda hoje encontro pessoas que conheci naquela época, e nas regulares visitas a cada dois ou tres anos desde entao, vai nascendo o acompanhamento das vidas, das açoes e dos destinos. Uns pararam no tempo. Alguns prosperaram, outros pelo contrário. Tristezas e sorrisos nas mortes e nos reencontros. É singular observar vidas a partir da perspectiva do tempo. Dá-nos alimento para refletir sobre nossa própria vida, nossas decisoes, imposiçoes e acomodaçoes, as quais, de uma forma ou de outra, nos levaram a chegar até aqui...

28 Janeiro 2010

Atravessando Bihar

E eis que cheguei bem em Bodhgaya, lugar da Iluminaçao do Buddha. Geralmente chego por outras rotas, mas dessa vez, por causa do fog de Delhi, acabei vindo via Patna. Foi sorte que o voo para Patna nao atrasou muito, so uma hora em comparacao ao destino de outros:


Passei a noite em Patna na boa companhia de um professor daqui, e de lá direto para cá. Apesar das situaçoes não serem novas em si, para o entretenimento dos leitores das Folhas aí vai uma descriçao sucinta do trajeto. Ela dará uma idéia do que esperar de uma visita a Índia... Depois de um café da manha de poori, sabji e omelete de queijo, e de passar toda a manha por alguns setores governamentais da cidade, resolvi optar pela opçao onibus para a jornada. Fiz claramente a pergunta tres vezes: “É o onibus turismo e não o regular, certo?” Tres respostas afirmativas foram o resultado, ainda complementadas pela explicaçao precisa de que sairia as 14hs e chegaria as 18hs. Quatro horas num onibus confortável, nada mau!

Hora atual: 13h30. Ainda sem almoço me encontro no saguao de um hotel governamental bem próximo. Será que dá tempo de comer algo? No bolso algumas notas de 500 rúpias (cerca de 19 reais). O que voces acham? Vale arriscar? Entro no restaurante do hotel. Escolho algo que julgo ser rápido de fazerem, mas logo surge a dúvida vinda da experiencia: Eles vao ter troco para 500? Ok, a nenhum de vcs ocorreria entrar num restaurante no Brasil e pensar se teriam troco para uma nota de 20 reais, certo? Pois... o restaurante me informa que não tem como trocar. Mas se não posso usar a nota de 500 como vou fazer o pedido? A face silenciosa da atendente demonstra que isso não é um problema ‘dela’. O tempo passa e rapidamente já estou no saguao do hotel. ‘Ei, podem trocar essa nota de 500?’. ‘Sorry, Sir, its not possible...’

14h05 saía o onibus, obviamente do tipo mais regular possível, o que significa que é daquela espécie que jamais seria permitida trafegar em qualquer rua ou estrada brasileira, nem mesmo no sertao. Assentos apertados, soltos, portas que não fecham, vidros que batem, sem espaço suficiente para malas (nem para pernas), e que para pegar é preciso levantar o cap e mexer alguma coisa lá dentro com uma alavanca retirada de baixo de um dos assentos.

E vamos nóis para horas a fio acompanhados da música interminável das buzinas. Nossas buzinas, buzinas dos vizinhos, buzinas de todos os tipos, alcances e tonalidades. Incansáveis e incessantes. ‘Horn Please’ é a frase mais lida na parte de trás de todos os automóveis daqui, isso qualquer um que já tenha visitado o país pode assegurar. Minha impressao é de que a buzina aqui não é usada apenas para avisar que ‘se você não sair da frente eu vou te atropelar certamente’, ou ‘menino olha pra trás senao sua mae fica sem filho’, mas buzinar é parte da arte da comunicaçao. Quando estou sozinho ou não tenho qualquer necessidade de buzinar, buzino também, só pra dizer, ‘ei pessoal, cheguei, estou aqui, tudo bem com voces?’

Como é de se esperar de qualquer companhia de onibus, na ‘metade’ da jornada, ou seja, duas horas depois, tivemos uma parada. Finalmente o desejado toilet, os homens pensaram certamente. Eis uma foto exclusiva do toilet da parada, para o deleite naturista dos leitores das Folhas:


Fica claro aqui porque as mulheres presentes no onibus não tiveram a mesma reaçao alegre ao perceberem a parada. Enfim, hora de reabastecer com chai (chá), docinhos, ou mesmo almoçar um bom prato de chapatis, dhal e sabji para os corajosos e imunes. Fico apenas com o chai. Delicioso, forte e suculento como somente os cantinhos mais sujinhos e as panelas mais aversas a um bom banho podem proporcionar. Acreditem, não há melhor chai do que nos locais aparentemente menos indicados para ingerir qualquer coisa. É simplesmente divino.


Que a parada chegou ao fim é anunciado, claro, com uma buzina. E lá vamos nóis novamente por entre caminhoes, carros, tuktuks, búfalos e bicicletas cruzando as estradas esburacadas cuja largura equivale a uma de nossas pistas, mas que podem comportar surpreendentemente tres carros ao mesmo tempo. Não me perguntem como isso é possível, mas é verdade! Passamos por incontáveis campos de plantaçoes, crianças brincando, bodes pastando (ou seja lá o que for que os bodes e cabras fazem), cidadezinhas com suas bancas de docinhos de leite empilhados nas vitrines, suas lojas de sapatos, barbeiros ao ar livre, frutas e couve-flores vendidos sobre o paninho sujo na beira da estrada, tudo aquilo que é delicioso de ver na Índia.

As 18hs, como seria de se esperar, não estamos nem perto do dito destino. Já vimos passar tres passeatas e já paramos duas vezes num trevo para ver o trem passar, literalmente. O sol nos brinda com seu por, e nós o brindamos com nosso olhar. É bom estar aqui. Muito bom.


19h30 é quando chegamos. Cinco horas e meia numa relíquia ambulante e barulhenta, sem almoço e com apenas duas xicrinhas de chai na barriga, atravessando a zona rural da regiao mais pobre do país. Nao é para fazer todos os dias, mas há poucas experiencias que eu trocaria por esta.

26 Janeiro 2010

isso é fog(o)

Uma hora atrás, no caminho para o aeroporto de Nova Delhi. Há dois carros aí na frente...conseguem ver?? O fog está terrível, talvez uns 30 metros de visao. Muitos voos cancelados e atrasados. Vamos ver que horas vamos acabar saindo. Pelo menos free internet no aeroporto... Feliz dia da república indiana!

25 Janeiro 2010

voando na republica

Amanha eh dia da republica na India. Seguranca severa em todos os lugares hoje, e somos revistados em todo lugar. Tambem varias ameacas teorristas principalmente a avioes na India. A Inglaterra estah em alerta maximo para todos os avioes vindos da India, e hoje me disseram que em Bihar ja ha turbulencias, exatamente para onde estarei voando amanha. Nao eh excitante tudo isso? Entao se o blog parar as atualizacoes....

novo dia de fog

A temperatura mínima é 7.5 e o fog é intenso. Voos e partidas de trens continuam se acumulando em seus atrasos e cancelamentos. É impressionante como Delhi nessas condiçoes fica deserta até umas 9 ou 10 da manha. Nada abre, lojas, restaurantes, quase ninguém anda pela rua. Visibilidade ontem entre 100 a 150 metros. Voos não devem sair com menos de 300 mts a menos que equipados de aparelhos especiais. Olhem aqui um foto do fog:


Aí a partir desse horário o sol começa a surgir, o fog vai se dissipando e a cidade volta a vida, cheia de gente. Domingo foi dia de compras para os cidadaos daqui, todas as lojas oferecendo de 40 a 80% de descontos, desde as mais chiques as banquinhas no meio da rua e o entra e sai das multidoes.

Não há como deixar de traçar uma analogia com a vida. Por vezes a vida é permeada pelo fog e tudo o que miramos o olhar parece embaçado ou sem saída. Nos círculos concentricos de Connaught Place, onde com visao clara já podemos ter dificuldade de nos localizar, com o fog então torna-se tudo igual e o mesmo. Aí o sol vem, dissipa a obscuridade e nos permite contemplar uma vida mais radiante, leve e limpa. Estas características, aliás, são aquelas da mente pura e em samadhi, segundo Ajahn Buddhadasa. Que todos possam desfrutar de uma vida radiante, leve e limpa, lembrandoo que o sol sempre está lá mesmo quando o fog parece estar em seu apogeu!


24 Janeiro 2010

Alone again


Espero que todos tenham apreciado as descricoes da Patchima nesses dias, foram 26 dias de viagens conjuntas, com muito companheirismo aventuras, diversao e novidades para todos. Ela ainda tem algumas coisas para escrever dos ultimos dias de viagem (e que serao colocadas nos dias apropriados em que ocorreram - entao fiquem de olho nos posts antes deste!). Enquanto isso, com o grupo de brasileiros de volta para o Brasil (e deixando imensas saudades aqui!), ainda fiquei uns dias em Bangkok, aproveitando para encontrar amigos que moram ai e tambem passar um dia num evento com Ajahn Pasanno e Ajahn Amaro (abades do Abhayagiri Monastery da California). Cerca de 250 pessoas compareceram e as palestras foram bem boas. Foi a primeira vez que encontrei com Ajahn Amaro, mas Ajahn Pasanno ja havia encontrado, na epoca em que ele ainda era o abade do mosteiro `farang` de Ajahn Chah, quando fui visitar Ajahn Chah quando este ainda era vivo. Valeu o reencontro.

Agora novamente estou na India, num voo sem incidentes, apesar das noticias de que os aeroportos da India estavam em alerta maximo para atentados terroristas (suspeitas coletadas pela inteligencia secreta indiana) principalmente de voos vindos do sudeste asiatico!!

Sem acoes terroristas, mas o fog aqui estah impressionante. Na verdade os jornais dizem que este eh o pior mes de janeiro, em termos de fog, dos ultimos 12 anos! Centenas de voos e trens cancelados todos os dias. Atrasos de mais de 16 horas nos trens, isso quando saem. Com isso, troquei minha passagem, viajando de aviao em poucos dias, bem no dia da repuplica (quando a seguranca aperta mais por causa dos frequentes atentados). Se tudo correr bem entao, continuarei postando fotos, agora da India, dos lugares buddhistas por onde o Buddha andou, e do vindouro conclave internacional buddhista, razao pela qual estou aqui dessa vez. Ate mais!

16 Janeiro 2010

Viagem chegando ao fim...

Patchima:

Às 04h da madrugada começamos a ouvir o sino. E era domingo!!! 30 minutos de sino !!! 04h30 recitação e meditação no que mencionei ser o lugar onde Buddhadasa ensinava. 06h20 tomamos um onibus com universitários que estavam visitando o mosteiro. Pegamos carona e fomos conhecer a parte internacional. É nesta área que agora acontecem os retiros de 10 dias.



Visitamos os dormitórios. Aliás, muitos. Acomodam mais de 200 pessoas. Professor lembrou da época em que ajudou a construir os primeiros dormitórios desta área.

O companheiro Mateus bem notou que não há imagens do Buddha pelas instalações do mosteiro. Um lugar aberto às muitas formas de pensar.

Caminhamos pela floresta durante um bom tempo. Apreciamos as piscinas naturais de água quente, os kutis espalhados pela floresta, dormitórios , salas de meditação em meio as árvores e ainda fomos perseguidos por centenas de patos!!!!

Na volta deste passeio fomos até o Teatro Espiritual. Aqui teatro espiritual tem uma conotação diferente. É bem mais uma sala de exposição de ensinamentos através de quadros inspirados na arte chinesa, zen, thai, hindu. Muito bonito. As idéias de paz e convivência harmoniosa estão presentes em grande parte das obras. E de alguma maneira isso se espalha por todo o espaço do monastério. Apreciamos também uma pintura gigante na parede sobre a originação dependente.



Em Suan Mokkh para onde a gente olhe há sempre alguma coisa lembrando aspectos do dhamma. No pouco tempo que permanecemos a sensação é de que o lugar está impregnado com a idéia imperativa do voltar-se para o essencial. Dificil explicar. Havia leveza e profundidade.
Acredito que foi uma experiência bastante importante e inesquecível para todos do grupo.

Pois que nossa viagem vai chegando ao fim. Agora é nos prepararmos para a volta de muitas horas de vôo. Seguimos de trem até Bangkok. E de lá voamos para o Brasil. A viagem foi excelente !!!! Exercitamos amizade e solidariedade nas venturas, aventuras e desventuras ao longo da jornada. Aos amigos do Folhas o grupo agradece a companhia, o carinho e o incentivo.
Ao professor guia nossa gratidão.

15 Janeiro 2010

em Suan Mokkh

Patchima:

Parte do grupo ficou na ilha. Seguimos para Suan Mokkh. Os grupos irão se encontrar amanha à noite em Chumphom para tomarmos o trem que nos levará até Bangkok. Viajamos praticamente o dia inteiro para chegar em Chaiya, cidade onde está o mosteiro. Chegamos em frente ao portão do mosteiro por volta das 16h30. Leve chuva. Professor foi recebido por um monge, assinamos livro de visita e recebemos as chaves de nossos quartos. Provavelmente cada um de nós tinha uma idéia do que seria Suan Mokkh. Ficaremos por 24 horas visitando este mosteiro que cf. o professor comentou foi criado para sustentar o budismo numa atmosfera pacífica e símbolo de que podemos viver e estudar os ensinamentos num ambiente muito parecido ao tempo do Buddha.



O quarto é como se estivéssemos no Nalandarama. Aqui, diferente de lá, não há colchão. Fizemos uma rápida visita às instalações do mosteiro. Professor foi nos orientando. O lugar é lindo. E tudo muuuuito simples. Muitas árvores. Em alguns momentos muitos de nós comentamos sobre a semelhança com o Nalandarama. Professor fez uma pequena introdução sobre o que é Suan Mokkh e falou sobre a vida de Ajahn Buddhadasa. Depois fomos caminhando, apreciando o lugar e ouvindo o professor. Há espalhado por todo lado placas de cimento com dizeres para as pessoas lembrarem do dhamma. Há também reprodução de arte hindu feita pelos monges daqui. Esta atividade era muito estimulada por Buddhadasa. Estivemos no local onde Buddhadasa recebia as pessoas para conversas. Ali há uma imagem dele, em tamanho natural, em cera. É perfeita! Fomos até a sala onde antes se guardava toda a obra dele. Atualmente, além de algumas obras, há uma estupa onde estão parte das cinzas e dos ossos de Buddhadasa.



Soubemos que está em andamento um projeto para reunir toda a obra num grande espaço em Bangkok. Logo em frente está o local onde ele dava ensinamentos ao ar livre. Um lugar que lembra um anfiteatro a céu aberto e onde, ainda hoje, as pessoas se reunem para ouvir o dhamma e para as recitações pela manhã. Já começava a escurecer e fomos caminhar pela floresta. Passamos pela antiga sala de meditação, de um período onde ali aconteciam os retiros. Nesta época o professor vivia por aqui. Relembrou sua passagem e atividades que chegou a desenvolver. A atmosfera aqui em Suan Mokkh é de silêncio e respeito. Tudo parece concorrer para a não dispersão. À noitinha a maioria do grupo foi tomar banho nas piscinas naturais de água quente que estão localizadas dentro da área internacional (do outro lado da estrada). Amanhã tem mais. Agora vamos ver como é isso de dormir sem colchão....

14 Janeiro 2010

Descansando e aproveitando...

Pátchima:

Dia livre. Cada um faz o que bem entender! Alguns dormiram, outros foram fazer curso de mergulho, outros foram para a praia curtir o sol, outros subiram num caiaque pra passear, outros sairam andando. Opção é o que não falta. Simplesmente ficar parado e olhar já é um programão! No final do dia jantamos todos juntos num lugar bem especial perto de onde estávamos com bela vista para uma enseada. Amanhã, parte do grupo vai a Suan Mokkh.

13 Janeiro 2010

passeando pelas águas

Pátchima:

Vieram nos buscar as 08h30 para um passeio de barco. Vamos conhecer alguns lugares da ilha pelo mar. Pegamos nossos óculos de mergulho e nadadeiras. Sim !!!! Expedição brasileira irá mergulhar! Primeira aventura - o mar não estava para peixe. Chuva, vento e o barco teve que dar meia volta e fazer outra rota. Longe da chuva e do vento, paramos numa enseada e os mais corajosos já pularam na água com seus apetrechos. Pós almoco no barco, Baía das Mangas.

Um de nossos viajantes tem um jeito peculiar de boiar....

E lá fomos apatrechados ver os milhares de peixinhos coloridos que vivem por ali. Azuis, amarelos, listrados, pequenos, médios... lindos!!!! Nao bastasse isso, ainda fomos ao que é chamada de "a praia mais paradisíaca do mundo".



E nao é que parece mesmo! Lá a água do mar consegue ser ainda mais clara, mais transparente e acho que porque recebe ajuda dos corais brancos que ao longo do tempo foram morrendo e fazendo um fundo perfeito para a água e peixinhos.

É!!!! Ali também haviam muitos! O que se vê então é muita gente, todos apetrechados olhando para o fundo do mar. Tem beleza no fundo do mar, nos peixes, na água, na praia, na paisagem. Ruim né??? Ficamos por lá tentando nos incluir da melhor forma possível em toda esta beleza !!! Este passeio de barco foi um colírio. Como pode um lugar ser tão bonito???
Amanhã...não faço idéia de que cenário vamos fazer parte...

12 Janeiro 2010

no caminho das ilhas

Pátchima:

Amigos, em nossa última manha em Siem Reap tentamos um passeio de balao para ver do céu a maravilha que é Angkor Thom. Nao deu certo. Os ventos nao favoreciam o passeio. Ficará para uma próxima vez. Embarcamos logo após o almoço para Bangkok. Em Bangkok quase vivemos uma caça ao tesouro. Nosso aviao chegou por volta das 18h e duas vans nos esperavam para deixar-nos na agencia que nos levará para uma ilha. Aparentemente 3 horas parecem suficientes para o percurso aeroporto/centro. Nao com o transito em Bangkok!

Chegamos em cima da hora. Como a agencia está no coraçao do centro, mais emoçao. Centenas de pessoas nas ruas "estreitas", carros, tuk tuk, todos nós e TODAS as nossas malas!

Agencia lotada. Em sua maioria os passageiros sao jovens. Hora do embarque. Mais emoçao. Passageiros e malas em meio ao movimento das ruas para tomar o onibus estacionado em local diferente da agencia. Uau! Instalados em onibus de dois andares partimos as 21h e chegamos as 05h. E a chuva junto. Ai, ai, ai, ai. Aguardamos até as 07h para embarcar no grande catamara que vai nos levar a ilha. Cansados? Siiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmm.


Chegamos em nossa pousada perto das 11h. Chuva se foi. Minha gente, só uma coisa a dizer: aqui é o paraíso. Se nao é ... parece ser uma das suas melhores versoes!

A pousada fica numa das enseadas da ilha. Aquele mar verdinho. Encostas repletas de palmeiras. Muito verde e rochas compondo um cenário encantador.

Ficamos bem instalados em bangalos estrategicamente posicionados de frente para o mar. Todos os bangalos na encosta de uma pequena colina. Varanda com espreguiçadeira. Decerto para manter a preguiça com tratamento vip. Ficamos por lá conhecendo a pousada e as praias a disposiçao. Amanha - passeio.

11 Janeiro 2010

Universo Angkor Wat - 4

Pátchima:

Saímos pela manha em direçao ao Templo Banteay Srey, sec. X, ano 967. É chamado de Cidadela da Mulher. Em seu portao de entrada está gravada a imagem de Indra (fazem idéia? gravada há mil anos!!!!). O templo é bem afastado. Fora do grande complexo de Angkor Thom. Está distante 37 km de Siem Reap.


A entrada nao revela tudo que tem dentro!

Os entalhes nas portas sao maravilhosos. Acredita-se que é chamado de cidadela da mulher porque a riqueza de detalhes em suas gravaçoes é muito refinada. Isso faz crer que os artesaos seriam mulheres. Aqui como em todos os outros templos nao é possivel deixar de ressaltar a beleza das árvores que circundam o templo. Quando já estávamos deixando o templo, ouvimos ao longe uma bela música e soubemos que era tocada por um grupo de vítimas das minas da guerra.

Fomos para Banteay Samre, templo construído no sec. XII, entre 1113 e 1150, pelo Rei Surya Varanam II. Templo hinduísta dedicado a Vishnu. Logo na entrada há um ataúde onde as pessoas mortas eram colocadas em posicao fetal.


O que ela estaria fazendo aí?

Seguimos para o templo Preah Khan, templo do sec. XII, ano 1191. Alann nos contou que Preah Khan era uma universidade. A quantidade de portas impressiona, mais de 40!


É um templo hinduista/budista. Aqui pudemos observar gravaçoes diferentes da fase budista e hinduista numa seérie de imagens já na entrada. Em algumas gravaçoes na parede o eremita está sentado em posiçao de meditacao budista com joelhos tocando o chao. As mesmas imagens sofreram uma correçao e os joelhos deixam de tocar o chao.


Aqui como em Ta Prohm encontramos árvores crescendo por entre a construçao. Aqui há nagas (serpentes) gigantes na entrada. Já vimos em vários outros templos também.


Muitos templos do universo angkor wat foram construidos ou com arenito ou laterite. Há livros e livros que contam o que cada templo representa conforme as varias condiçoes presentes em cada época.

Dependendo do século em que foram construídos, os estilos, caracteristicas de construçao, inscriçao na parede, esculturas, gravaçao de imagens, entalhes, etc., vao mudando.

Nesta manha encerramos nossa visita pelo universo angkor wat. No período da tarde, após descanso porque o calor aqui nao é mole nao... fomos visitar um vilarejo flutuante no maior lago do Camboja. o Tonle Sap. Tao grande que dá a impressao de oceano. Durante o período de seca ele tem 3000 km2 de extensao. No periodo das chuvas ele aumenta 05 vezes mais, inundando uma grande area!!!



Fomos tomar um barco num pier a beira do lago. Lago adentro comecam a aparecer casas flutuando sobre barcos ou grandes plataformas. Impressionante! Tudo na água. Igrejas, mercadinhos, quadras de esporte, hortas, criaçao de porcos, tudo flutuando. Neste vilarejo moram perto de 100.000 vietnamitas e cambojanos. Vez por outra uma canoinha com vietnamitas vendendo refrigerantes se aproximava, pulavam em nosso barco, ofereciam e saiam. Descemos num barco flutuante onde se pode ver o por do sol no grande oceano cambojano.




Hoje é o último dia que Alann nos acompanhará. Amanha voltamos a Thailandia. Ela nos orientou e cuidou de forma muito especial. Somos muito gratos a ela pelo que aprendemos da cultura cambojana.

Ao longo de nossa estada no Camboja, seja pelas palavras da Alann, seja pelo nosso olhar, nao tem como nao notar a historia recente deste país. A guerra sempre deixa um triste legado. A impressao é de que o Camboja levará tempo para se recompor. O mínimo que podemos fazer para compreender o que aconteceu e o que vemos é conhecer a história do pais. Vimos a riqueza de uma cultura em Angkor Thom que é patrimonio da humanidade e também vimos a pobreza advinda da guerra, também patrimonio nosso.

10 Janeiro 2010

Universo Angkor Wat - 3


Amanhecer do dia 10 em Angkor Wat

Pátchima:

Pensam que viagem de passeio é só prazer?? Para ver o sol nascer em Angkor Wat o grupo levantou as 04h30, sem café da manha e lá fomos com repelente e lanterna na mao buscar um bom lugar. Realmente o sol se levantando por trás das torres centrais de Angkor Wat é especialíssimo. Estávamos la com muuuuuitas pessoas de diferentes lugares.


Tem gente que tirou boas fotos!

Quando o sol deu as caras, ainda sem café da manha, fomos finalmente conhecer Angkor Wat.


Compartilho com voces o que vimos, por onde andamos e o que ficamos sabendo a respeito de Angkor Thom. Tenham claro que sao apenas impressoes e informacoes poucas sobre um lugar que é descrito em pormenores por especialistas.

Angkor Wat tambem é chamado de Parama Visnu Loka (morada de Vishnu). É um templo enorme com galerias e corredores compriiiiidos e disposto em vários niveis.


Grupo atento as explicaçoes da guia

Olhando o tamanho do templo e a arte que está por toda a parte é inacreditavel que ele tenha sido construido em 37 anos. Para conhecer todo ele nao faço ideia do tanto de tempo que gastariamos.


As torres centrais representam o Monte Meru e sua arquitetura representa o apogeu da construçao khmer. Todas as paredes foram gravadas a mao e segundo a nossa guia, cada apsara gravada na pedra levava 30 dias para ficar pronta. Nas grandes extensoes das paredes laterais do templo estao esculpidas diferentes narrativas. Numa das laterais vimos a historia do Rei Surya Varanam II. Vimos paredes onde estao gravadas imagens dos 32 infernos, 37 céus e os 36 grupos de pecadores, segundo o hinduismo. Vimos tambem na parte exterior do templo a reproducao de um grande painel que retrata a criaçao vista desde o hinduismo, chamado Agitaçao ou Batida do Oceano de Leite. O painel original tem 49 m. E é belíssimo.

Visitamos Ta Prohm, originalmente um templo monasterio, chamado Rajavihara (monasterio real). Templo do sec. XII, 1186. Talvez seja uma das mais famosas ruínas por causa do aspecto singular deixado pelas árvores que foram crescendo ao longo dos últimos 400 anos por entre o conjunto de prédios deste templo. É um templo que mescla hinduismo e budismo como muitos dos templos aqui. A torre central foi construida em homenagem a mae do Rei Jayavarnam VII.

Fila indiana seguindo a guia

Depois fomos até as ruinas do templo Ta Keo, chamado templo montanha. Construçao do séc. XI, por volta do ano 1001. Muito alto com escadas estreitas e íngremes (que nao foram obstaculo para o valente companheiro Antonio Mateus de Aracaju). Alann nos contou que este templo nao é decorado como os outros. Conta a lenda que por um raio ter caído sobre a torre central, as pessoas acreditavam que isso seria sinal para nao decorá-lo. Outros acreditam que o motivo seria o fato de suas paredes estarem cobertas por cobre.


Por fim estivemos em Pre Rup. Templo do sec. X, ano 961, dedicado a Shiva. Conta-se que o rei entrava na torre central do templo, orava e saia mais jovem. E também tem a estória de que o rei cremado neste templo ressurgia das cinzas. Todos se animaram para entrar na torre central...nao sei porque.... Ainda tivemos a oportunidade de apreciar o por do sol no alto de um dos templos em Angkor Thom. Também foi um dia de comemoraçao de aniversário...com bolo, vela e tudo o mais !!!! Amanha estaremos visitando outros templos....

Já perceberam porque este lugar foi considerado Patrimonio da Humanidade nao? Isso tudo aqui é a história viva de um tempo!

09 Janeiro 2010

Continuando nossa visita..

Pátchima:

Agora iremos ver o que há dentro das muralhas de Angkor Thom.



Angkor Thom foi construida em 1181. Entramos pelo Portão dos Mortos. Quando o rei entrava por este portão era mais ou menos como o anúncio de sua derrota em alguma campanha realizada fora.



Todos os portões de Angkor Thom são muito bonitos. São estruturas grandes e em sua parte superior estão dispostas, nas direcões cardeais, a face de Brahma, representando as quatro moradas divinas (meta, karuna, mudita, upeka). Visitamos também o Portão da Vitória. O lugar onde está Angkor Thom é muito bonito, a paisagem é de árvores enormes, frondosas, super agradável de passear, caminhar. Quando menos se espera surgem as ruinas dos templos em meio a todo aquele verde.


E assim caminhando chegamos a Vihar Prampilveng. Nestas ruinas nos deparamos com uma imensa estátua do Buddha encontrada pelos franceses em 1935 na torre central do templo Bayon e que foi posteriormente foi colocada neste lugar. Mais um tanto e chegamos ao Terraço dos Elefantes que segundo a Alann era o local onde o rei recepcionava as pessoas. Construçao muito bonita com grandes de elefantes esculpidos em relevo nas paredes.





Já ao lado está o terraço do Rei Leproso que era usado como tribunal. Em suas paredes estão esculpidas imagens de Yama, seus ajudantes e concubinas. Segundo Alann as imagens representam Yama esperando por aqueles que não agem corretamente. Belissimas imagens esculpidas parede acima e abaixo.



Ainda visitamos Tap Pranam, com seu imenso Buddha sentado; Preah Palilay e Primean Akos.



Bayon é o templo construído no seculo 12 e que impressiona pela quantidade de faces de Brahma esculpidas em suas inúmeras torres. Centenas e centenas de faces por todo canto e por todas as paredes estao esculpidas apsaras (dançarinas celestiais).



Tudo o que a gente tem visto é fascinante. Todos estes templos com esta arte maravilhosa, contando em suas paredes esculpidas, em sua arquitetura, em suas cores, formas e tamanhos, a narrativa de um tempo.

Universo Angkor Thom - 1


Pátchima:

Pois bem meus amigos, entramos na van após o café da manha e seguimos rumo ao tao esperado Angkor Wat. No caminho Alann foi nos contando sobre o país, história, sua economia, populaçao. E uma curiosidade sobre o nome da cidade onde estamos. No sec. 16 o rei Suryavaranam II daqui do Camboja derrotou os Siameses (tailandeses) e a cidade entao recebeu o nome de Siem (Siao) Reap (Derrotado). Alann nos passou um mapa e pasmada tomei ciencia do tamanho de Angkor Wat!!! Na santa ignorancia achava que Angkor Wat era um prédio, um monumento. Qual o que!!!!!



Angkor Wat é o prédio central daquilo que eles chamam de Angkor Thom, um complexo de muitos templos numa área de 400 km2 !!!! Entao vamos começar pelo complexo de Angkor Thom.



Visitamos o chamado Grupo Rolous (tipo de árvore do local) que está fora das muralhas de Angkor Thom. Lá estao tres templos: Preah Kho, dedicado a Shiva, construíido em 879. Em frente ao templo estao imagens do touro sagrado protegendo-o. Bakong, templo construido em 881; e Lolei, templo construido em 893. Templos belissimos. Nem vou me atrever a falar sobre detalhes porque são infindáveis e não tenho conhecimento.


O que posso dizer é que a grande maioria dos templos traz influencia hinduista e budista. As imagens gravadas nas paredes mostram esta mescla. Junto as ruinas de Lolei havia um templo ativo onde pudemos apreciar a vida do Buddha retratada em quadros pintados por toda a parede do templo. O nosso professor guia foi nos orientando a visita. Maravilha!


Entre Bakong e Lolei ainda passamos pelo Mercado de Rolous. Local onde as pessoas dos vilarejos realizam o comércio. Nestas visitas aos mercados locais tem-se idéia mais aproximada de como vivem as pessoas, o que elas consomem, como se vestem, como se relacionam, o que comem, o que ouvem, etc. Depois conto sobre o que vimos dentro das muralhas de Angkor Thom.