22 Março 2010

A corrida de ratos

Fundamental:

"Nas trincheiras diárias da vida adulta, não há tal coisa como ateísmo. Todos adoram. A única escolha que temos é o que adoramos. Um notável motivo para escolhermos algum tipo de deus ou coisa do tipo espiritual para adorar - seja Jesus Cristo ou Allá, seja Yahweh, a deusa mãe wiccan, as Quatro Nobres Verdades ou ainda algum conjunto intangível de princípios éticos - é que quase qualquer outra coisa que você venha a adorar irá lhe comer vivo.

Se você adorar dinheiro e coisas - se eles forem aquilo em que você investe o real significado na vida - então você nunca terá o suficiente. Nunca sentirá ter o suficiente. Adore seu próprio corpo, beleza e charme sexual e você sempre se sentirá feio, e quando o tempo e a idade começarem a se mostrar, você morrerá um milhão de mortes antes de finalmente acabar... Adore o poder - você se sentirá fraco e temeroso, e precisará ainda mais de poder sobre os outros para mantê-lo seguro. Adore seu intelecto, ser visto como alguém esperto - você acabará se sentindo estúpido, uma fraude, sempre na beira de ser descoberto.


A coisa traiçoeira de todas essas formas de adoração não é que sejam maléficas ou pecaminosas; é que são configurações default. Elas são o tipo de adoração nas quais você gradualmente escorrega, dia após dia, se tornando cada vez mais seletivo sobre aquilo que vê e como mede o valor, sem nunca estar realmente alerta ao que está fazendo. E o mundo não irá desencorajá-lo por operar nas configurações default porque o mundo dos homens, dinheiro e poder se movimenta muito prazerosamente com o combustível do medo, do desprezo, da frustração, do desejo sedento e da adoração ao eu...

O tipo realmente importante de liberdade envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e ser realmente capaz de se importar com outras pessoas e se sacrificar por elas, sempre e sempre, em míriades de formas não sexys, todos os dias. Essa é a real liberdade. A alternativa é a inconsciência, a configuração default, a 'corrida de ratos' - o sentido do mascar constante sobre algo infinito que se teve e se perdeu
".

--David Foster Wallace, numa palestras Kenyon College

6 comentários:

Alfredo disse...

Incrivel como se procura essência onde não há

Anônimo disse...

Que mensagem legal! Gostei bastante

Josane

Anônimo disse...

"Ondes estiver o teu tesouro, aí estará teu coração".

Josane

Anônimo disse...

barbaridade...ainda bem que estava sentada....
Fátima

Alfredo disse...

Fatima, é só não se apegar, pode continuar fazendo suas coisitas rsrs

Seigaku disse...

Nossa, essa doeu.

Nem sabia que este cara me conhecia, e me conhecia tão bem. :P