26 Novembro 2009

A importância da concentração

"Para obter concentração, necessita-se fazer sacrifícios. Precisamos enfrentar vários níveis de esforço para treinar e praticar até obter o grau de concentração apropriado às nossas habilidades. Finalmente, obteremos muito melhores resultados em nosso trabalho do que pode obter o homem comum, simplesmente porque temos melhores ferramentas à nossa disposição. Então, ponham seu interesse nesse tema da concentração e não a tomem como algo tolo e fora de moda. Isso é, definitivamente, algo da maior importância, algo que vale a pena usar sempre, especialmente nos dias atuais, quando o mundo parece estar girando muito rápido a ponto de estar explodindo em chamas. Há muito mais necessidade de concentração hoje que no tempo do Buddha. Não tenham a idéia de que é algo apenas para pessoas nos templos ou para pessoas excêntricas".

do capítulo V de 'A Causa do Sofrimento na perspectiva buddhista', de Ajahn Buddhadasa. Belo Horizonte: Edições Nalanda, 1998.

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24 Novembro 2009

Apego às idéias

"O apego a idéias e opiniões não é difícil de detectar e identificar se fizermos uma pequena introspecção. Desde que nascemos no mundo, temos recebido instrução e treinamento, os quais deram origem a idéias e opiniões. Quando falamos em opiniões, temos em mente o tipo de idéias a que alguém se prende e se recusa a deixar ir. Apegar-se às próprias idéias e opiniões é bastante natural e não é normalmente condenado ou desaprovado. Mas não é menos grave ou perigoso que o apego aos objetos atraentes ou desejáveis. Pode acontecer que idéias e opiniões preconcebidas, às quais sempre nos apegamos obstinadamente, venham a ser destrutivas. Por esta razão, é necessário que continuamente aperfeiçoemos nossas idéias, fazendo-as progressivamente mais corretas, melhores, superiores, trocando as falsas idéias por idéias que estejam mais e mais próximas da verdade e, finalmente, no tipo de visão que incorpore as Quatro Nobres Verdades".

do capítulo IV de 'A Causa do Sofrimento na perspectiva buddhista', de Ajahn Buddhadasa.
Belo Horizonte: Edições Nalanda, 1998.

15 Novembro 2009

Dominó

A interdependência está intimamente ligada com a noção de kamma (ação) e vipaka (fruto), mas é uma daquelas coisas que, devido à nossa inata ignorância, frequentemente intepretamos das formas mais individualistas. Quando pensamos em kamma (skr. karma) pensamos naquilo que fizemos e como podemos sofrer as consequências, mas nossa perspectiva egocêntrica meio que pára por aí. Mas é importante sempre lembrar que interdependência tem a ver com estar ligado com todo o resto dos seres e coisas, e que não apenas tudo nos influencia mas também tudo aquilo que fazemos influencia os seres ao nosso redor. Ao invés de pensamos apenas nas consequências que poderão vir a nós quando agimos dessa ou daquela forma, vale a pena dedicar algum tempo também ao como nossas ações, desejos, palavras, poderão afetar as outras pessoas e seres. E isso funciona tanto para aquilo que fazemos e que pode prejudicar, desanimar e incomodar os outros, mas também o reverso, aquilo que podemos causar de imenso bem, motivação e estímulo para que aqueles sob a esfera de nosso alcance possam entrar e se manter num caminho de contínua conscientização e desenvolvimento. Não estamos sozinhos nesse mundo. Se caímos, outros caem conosco. Se geramos o bem, essa alegria não fica confinada aos limites de nossa pele.



Ação e Omissão
Kamma e semeadura

12 Novembro 2009

Soltar

A visão intuitiva ou o que chamamos “ver o Dhamma” não é, de forma alguma, a mesma coisa que o pensamento racional. Ninguém jamais chegará a perceber o Dhamma por meio do pensamento racional. A visão intuitiva só pode ser obtida por meio de uma verdadeira compreensão interior. Por exemplo, suponha que estejamos numa situação na qual nós nos tornamos inconscientemente envolvidos com algo que, posteriormente, venha a nos causar sofrimento. Se, ao olharmos de perto o curso atual dos acontecimentos, nós nos tornamos genuinamente enfadados, desiludidos, desencantados com esse objeto, podemos considerar ter percebido o Dhamma ou ter obtido um claro insight. Essa clara intelecção pode desenvolver-se continuamente, até tornar-se perfeita e obter o poder de nos libertar de todas as coisas. Se uma pessoa recita em voz alta: “anicca, dukkha, anatta” ou examina essas características sem nunca ficar desencantado com as coisas, sem nunca perder o desejo de obter coisas ou de ser alguém, ou sem perder o desejo de agarrar-se às coisas, essa pessoa ainda não atingiu a visão clara. Resumindo, então, obter insight a respeito da impermanência, da insatisfatoriedade e do não-eu, significa compreender que nada vale a pena ter ou ser.

do capítulo II de A Causa do Sofrimento na perspectiva buddhista, de Ajahn Buddhadasa. Belo Horizonte: Edições Nalanda, 1998.