29 Agosto 2009

micos, almofadas e sapotis

Entre uma palestra e outra, entre uma inspiração e uma expiração na prática da meditação, um pouco de tempo também para apreciar o imenso mar sergipano e a hospitalidade em meio à natureza. Aí abaixo nossos companheiros de café da manhã. Não apenas nós gostamos de sapotis, atemóias, mangaba, tapioca, queijadinhas e pamonhas caseiras da dna. nilma.

E para quem nunca viu, isto aí abaixo são sapotis, lá do mercado. A primeira vez que comi sapoti foi na Índia e nem desconfiava que aquilo se chamava sapoti e que tinha aos montes no nordeste brasileiro. Comia na Índia, repetia, e achava que era típico de lá. Até que um dia fui apresentado à mesma fruta, com nome diferente. Doce doce...

25 Agosto 2009

coqueiros, olinda chinesa e o corpo

Depois de uma passagem por Gaibu no dia de ontem em busca de inspiraçao (e como nao achar com esta paisagem aí do lado), visitamos hoje o templo Fo Guang Shan de Olinda. Fomos gentilmente recebidos pela Li que nos mostrou o espaçoso local onde ocorrem várias atividades. O templo se localiza em regiao privilegiada logo diante do mar. Quem mora por lá tem a opçao de aprender kung fu e também mandarin!

Enquanto isso continuam os eventos de Buddhismo Theravada por aqui, agora prosseguindo com uma introduçao à meditaçao do ponto de vista do canon antigo. Ontem vimos alguns pontos fundamentais de todo o edíficio da meditaçao buddhista com uma discussao sobre quem é nosso melhor amigo, uma comparaçao das ondas nas praias recifenses e o trabalho contemplativo, além dos reais objetivos da meditaçao buddhista, a qual nao deve ser vista como uma mera prática. E hoje é dia de nos dedicarmos um pouco mais ao ¨corpo¨ do ponto de vista da prática meditativa abordando os quatro primeiros exercícios das ¨fundaçoes da observaçao vigilante¨ ensinadas pelo Buddha.

Enquanto isso, recebemos notícias de que o grupo de Curitiba está com mais uma opção de meditação agora às quintas, das 07h às 08h; uma boa opçao para quem acorda cedo e nao tem medo de frio, pois a temperatura por lá nao está fácil. Já aqui no nordeste é fácil acordar a quaquer hora, toda hora é boa... E em breve estaremos de volta a Aracaju.

19 Agosto 2009

Ó chuva chuva

Fascinante ver o que o ser humano é capaz de fazer, esta possibilidade de 'imitar' todos os reinos. Dica da Lori.

18 Agosto 2009

Om Mani Padme Hung

Música buddhista tibetana cantada por Yungchen Lhamo. Dica da Isa.



Om Mani Padme Hung / Om Mani Padme Hung
Srid pa'i bde chos thams cad ni / rmi lam bzhin du bden pa med /
Zhi gyur bden pa dam pa'i chos / de ni myur du sgrub par smon /
Om Mani Padme Hung /

14 Agosto 2009

Paz e Tolerância

Em A Paz é Possível, Anna Brown mostra um pouco da trajetória de Maha Ghosananda em seu papel pela paz no Camboja. As caminhadas pela paz (Dhammayietra) por entre campos minados e zonas de conflito são gestos poderosos de consciência, que mostram também para nós a necessidade de ações corajosas em nossas vidas, se quisermos modificar aquilo que percebemos necessário de modificação. Parte dessas mudanças está em nosso próprio modo de pensar, pacificando nosso modo de agir, falar e concoctar pensamentos. Não é algo fácil modificar padrões antigos estabelecidos. A meditação é algo que pode colaborar nisso, à medida que compreende um duplo desenvolvimento de compreensão e pacificação. Na almofada e fora dela é preciso cultivar também a tolerância com as diferenças, tão bem mostrada por Maha Ghosananda. Coincidentemente as entradas desta semana em No Que Os Buddhistas Acreditam também falam disso:
"Nesse mesmo século vemos que as crianças da terra que desenvolveram todas essas invenções como prova última do progresso, foram as mesmas pessoas que assassinaram milhões de outras com suas baionetas, balas e bombas. Em meio a todo esse grande ‘progresso’, onde está o espírito de tolerância? Onde está o amor do qual muitas religiões falam?"

11 Agosto 2009

A Paz é Possível - final

Em 12 de abril de 1992, quando a primeira Dhammayietra começou, o que se esperava era andar em solidariedade com aqueles refugiados cambojanos que estavam retornando para suas casas vindos da Thailândia, pela primeira vez em vinte anos. Representantes das Nações Unidas, o Khmer Vermelho e representantes do governo thailandês, entre outros, se opuseram à iniciativa. O maior obstáculo, entretanto, era as minas terrestres enterradas no chão desde os anos 70. Qualquer obstáculo que os andarilhos enfrentassem, no entanto, era equilibrado pela gratidão do povo cambojano que era encontrado ao longo da caminhada - até mesmo membros do Khmer Vermelho. Os norte-americanos Elizabeth Bernstein e Bob Maat, que estavam na caminhada, tiveram suas reflexões documentadas por Santidhammo assim:

Tão cedo quanto 4 da manhã, na cidade ou no campo, famílias esperavam fora de suas casas com um balde de água, velas e incensos. À medida que monges e monjas passavam dois a dois, em fila, eles abençoavam as pessoas e a água, com palavras de paz: "Que a paz esteja em seus corações, família, vilarejo e nosso país". Em retorno, muitos andarilhos tinham seus pés lavados por aqueles que esperavam ao longo da estrada, desejando-nos o bem em nossa jornada: "Que seus pés estejam tão frescos quanto esta água".

Enquanto os andarilhos passavam, soldados do Khmer Vermelho e forças governamentais depunham suas armas ao lado da estrada e pediam pelas bênçãos de Maha Ghosananda, expressando seus terror pela guerra e sincero desejo pela paz: "Não queremos que ninguém seja morto ou ferido", disse um soldado. "Apesar de ser um soldado, não tenho malevolência em meu coração".

Em um vilarejo onde um massacre de trinta pessoas havia ocorrido recentemente, o povo do vilarejo deu boas-vindas aos caminhantes e um homem disse: "Esta é a primeira vez que ousamos nos reunir novamente em um grupo grande. Simplesmente não podíamos deixar de vir. Todos estão aqui. O mercado está fechado e o povo deixou seus empregos para recebê-los. Somos gratos que vocês vieram para nos ajudar a encontrar a paz novamente. Os monges e monjas devem nos liderar para fora desta confusão de matarmos uns aos outros Se apenas pensamos em matança e vingança, isso nunca terminará. O Buddhismo deve nos guiar".


Em sua declaração "Um Exército de Paz", que pode ser encontrada na publicação de 1992 de Ghosananda, "Passo a Passo: Meditações sobre a Sabedoria e a Compaixão” (Parallax Press, com edição brasileira de Edições Nalanda, 1995), ele começa dizendo: "A história está sendo feita. Quatro exércitos estão colocando suas armas no chão. Quatro facções estão se unindo para governar. Estamos todos caminhando juntos". Infelizmente, a história feita por Ghosananda e os andarilhos cambojanos da paz frequentemente não aparece nas notícias do Washington Post, New York Times, etc. O que somos levados a ler são aquelas histórias pesadamente moldadas pela luta armada e pela dominação política. A tentação, à luz dessa realidade, é cair no desespero ou desejar que Ghosananda, falecido em 2007, ainda estivesse conosco. A isso, imagino que Ghosananda teria dito algo assim, como frequentemente o fazia: "A paz é possível, apenas o faça passo a passo!"

© escrito por Anna Brown, Waging Nonviolence
© traduzido por Dhanapala sob permissão da autora

O artigo inteiro pode ser encontrado em: http://ghosananda.nalanda.org.br

Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram "Passo a Passo".

09 Agosto 2009

A Paz é Possível - 7

Durante as muitas caminhadas de Dhammayietra que ele dirigiu no Camboja, Ghosananda interpretou de forma literal e séria o dito de Fujji de “respeitar e nutrir afeto um pelo outro”; de alguma forma ele foi até mesmo capaz de trazer os membros do Khmer Vermelho para dentro de sua tenda de reconciliação, perdão e não-violência. Mas o esforço não foi sem custo. Durante a maior parte das caminhadas, Ghosananda e seus inúmeros discípulos do Dhammayietra foram atingidos ou pegos no meio do fogo cruzado. Em algumas de suas caminhadas, alguns monges e monjas que se juntaram a ele foram mortos. Ainda assim, Ghosananda e os milhares de seu exército da paz não pararam de caminhar. Da mesma forma como o Buddha o fez em sua própria época, os andarilhos do Dhammayietra seguiram diretamente para o coração do conflito. Quando os parentes do Buddha começaram a brigar pelo uso da água em duas comunidades, o Buddha - sentindo que uma luta armada logo iria se deflagrar – andou diretamente para o campo de batalha e perguntou: “O que é mais precioso, a água ou o sangue humano?” Quando as pessoas responderam que o sangue humano era mais precioso, o Buddha perguntou: “Então, por causa da água vocês farão correr rios de sangue? O que estão fazendo é correto?”

Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram "Passo a Passo".

07 Agosto 2009

defeitos e preguiça

"Será de facto uma boa qualidade isto de eu não me deixar influenciar? Estará certo que siga quase exclusivamente o caminho que me dita a minha consciência? Com toda a franqueza, custa-me compreender que alguém possa dizer "sou fraco" e se deixe ficar fraco na mesma. Se a gente conhece os seus defeitos porque não tenta então corrigi-los? Resposta do Peter: - Porque assim é muito mais cómodo. Esta resposta desencorajou-me bastante. Cómodo! Quer ele dizer que uma vida de preguiça e de auto-ilusão é uma vida cómoda? Oh, não, não, recuso-me a acreditar nisso. Não é possível que a moleza e... o dinheiro sejam tão aliciantes". do Diário de Anne Frank

04 Agosto 2009

Emprego e Buddhismo

Eis aqui uma boa perspectiva de como o Buddhismo lida com alguns problemas do cotidiano. Abaixo está uma resposta do prof. dr. Ricardo Mário Gonçalves na lista Budismo Shin a alguém que pedia para que orassem por ele pela falta de emprego:

V. pede que oremos para V. suportar o desemprego. O budismo pode ajudar V. a suportar e a eventualmente superar o desemprego, não através de orações, mas seguindo um caminho diferente. O budismo não trabalha com o conceito de uma divindade exterior ao homem com quem poderíamos "negociar", através de preces e oferendas, auxílio para a resolução de nossos problemas individuais. O budismo é uma doutrina de sabedoria e esclarecimento que nos ensina a compreender a nós mesmos e ao mundo em que estamos inseridos, permitindo, dessa forma, encontrarmos serenidade e discernimento para enfrentar os desafios. O princípio fundamental do budismo é a Lei da Originação Dependente que nos ensina que tudo o que acontece se deve a um conjunto de causas e condições. Aplicando isso ao desemprego, há que verificar em primeiro lugar que o desemprego não é um problema só seu: é um problema global que afeta o mundo inteiro. A presente crise econômica e financeira atinge países que se julgavam ao abrigo do desemprego como Estados Unidos, Alemanha e Japão: só neste ano milhões de pessoas perderem seus empregos nesses países. Isso vem acelerar uma tendência que os sociólogos e economistas já perceberam a algum tempo atrás, a da progressiva desaparição do emprego ou vínculo empregatício permanente. A tendência dominante é a da "flexibilização" das relações de trabalho, as pessoas se organizam temporariamente para prestar serviços a uma empresa e logo se desligam da mesma para prestar serviço a outros. O mundo em que crescemos e fomos educados nos ensinou contar com um emprego permanente, mas vemos agora que tudo o que parecia sólido e estável se dissolve no ar; estamos vivendo tempos "líquidos" que não nos proporciona nenhum ponto de apoio permanente e confiável. Isso está, aliás, de acordo com o budismo, que nos ensina que tudo é impermanente, mutável, instável. A maioria dos meus amigos que se viram às voltas com o desemprego superou o problema reestruturando sua vida para prestar serviços e assessoria às empressas de forma independente, sem vínculo empregatício. Concluindo, há que constatar que o emprego fixo é uma espécie em extinção e que as relações de trabalho precisam ser repensadas e reestruturadas de forma radical e à escala global.

Bem, desejo sinceramente que estas reflexões o ajudem a equacionar seu problema com serenidade e discernimento e a buscar soluções de forma viva e criativa, como muitos estão fazendo neste momento, no mundo inteiro.