Quando você estiver lá embaixo, não pense que não seja possível se levantar:
"Nossas vidas são como a respiração, como as folhas que crescem e caem. Quando realmente entendermos sobre as folhas que caem, seremos capazes de varrer os caminhos todos os dias e nos alegrar com nossas vidas neste mundo mutável" ~ Ajahn Chah
26 Julho 2009
Levantar é possível
Um update: Sem mãos, sem pernas, sem preocupação
Quando você estiver lá embaixo, não pense que não seja possível se levantar:
Quando você estiver lá embaixo, não pense que não seja possível se levantar:
19 Julho 2009
A Paz é Possível - 6
Desde sua entrada no campo de Sakeo, Ghosananda empreendeu um esforço sem fim de quinze anos em benefício do povo cambojano. Suas muitas obras, bem documentadas no breve livro de Santidhammo, revela-o fazendo muitas coisas, desde a construção de templos e campos de relocação até o trabalho no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. Ghosananda, que foi frequentemente mencionado como o “Gandhi Cambojano”, também reuniu um exército de paz cuja única munição eram as “balas da bondade amorosa”. Seu exército, reunido para seis “Dhammayietra (uma peregrinação pela verdade ou uma caminhada pela paz) pela Paz e Reconciliação" caminhava um passo de cada vez: “As guerras do coração sempre levam mais tempo para esfriar do que o cano de uma espingarda … precisamos nos curar através do amor … e devemos fazê-lo vagarosamente, passo a passo”. O passo mais difícil era o de amar o próprio inimigo mas, ainda assim, se desejamos a paz, devemos tomar este primeiro passo. Dependendo de sua prática buddhista, Ghosananda compreendia que quando vemos o “inimigo”, vemos a “nós mesmos”. Olhando profundamente para essa compreensão eu não lutarei com um outro pois, de fato, estarei lutando contra mim mesmo. É uma bênção que Ghosananda tenha tido um tão bom professor e que, de fato, tenha aprendido como meditar no mosteiro thailandês de floresta.
A devoção de Ghosananda ao trabalho pela paz começou cedo. Quando estudava na Universidade Nalanda, ele teve a oportunidade de encontrar, estudar e trabalhar com o monge japonês Nichidatsu Fujii, que havia estudado intensamente com o próprio Gandhi em seu Wardha Ashram e, mais tarde, fundou a ordem buddhista Nipponzan Myohojii. Em 1954, Fujii construiu o primeiro Pagoda da Paz e organizou sua primeira caminhada pela paz no Japão. De acordo com Fujii, para quem a não-violência era o centro de seus esforços pela paz: “a civilização não é ter luz elétrica, aviões ou produzir bombas nucleares. Civilização é não matar as pessoas, não destruir os seres vivos, não guerrear. Civilização é manter o respeito e afeição uns pelos outros”. Hoje, seus adeptos, incluindo aqueles nos Estados Unidos, continuam a caminhar pela paz e pela proibição das armas nucleares.
Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram "Passo a Passo".
A devoção de Ghosananda ao trabalho pela paz começou cedo. Quando estudava na Universidade Nalanda, ele teve a oportunidade de encontrar, estudar e trabalhar com o monge japonês Nichidatsu Fujii, que havia estudado intensamente com o próprio Gandhi em seu Wardha Ashram e, mais tarde, fundou a ordem buddhista Nipponzan Myohojii. Em 1954, Fujii construiu o primeiro Pagoda da Paz e organizou sua primeira caminhada pela paz no Japão. De acordo com Fujii, para quem a não-violência era o centro de seus esforços pela paz: “a civilização não é ter luz elétrica, aviões ou produzir bombas nucleares. Civilização é não matar as pessoas, não destruir os seres vivos, não guerrear. Civilização é manter o respeito e afeição uns pelos outros”. Hoje, seus adeptos, incluindo aqueles nos Estados Unidos, continuam a caminhar pela paz e pela proibição das armas nucleares.
Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram "Passo a Passo".
16 Julho 2009
A Paz é Possível - 5
Após deixar o mosteiro thailandês de floresta, Ghosananda caminhou direto para o campo de batalha em que o Camboja havia se tornado após a intervenção pós-americana e durante o surgimento e reinado do regime khmer de Pol Pot. De 1975 até o início de 1979, as práticas genocídas de Pot dizimaram quase dois milhões de cambojanos através de execução, trabalho forçado e fome. Juntamente com o povo cambojano em seu sofrimento e morte estavam perto de 62.000 de seus 65.000 monges buddhistas, incluíndo a própria prática “oficial” do Buddhismo. Ghosananda, que entrou em um campo de refugiados cambojanos localizado na fronteira thailandesa em 1978, deve ter parecido ao povo doente e faminto do campo como se fosse um fantasma vestido com o manto laranja. Muito em breve, entretanto, as pessoas começaram a se dirigir aos bandos em sua direção, recebendo dele um verso do Metta Sutta que dizia: “O ódio nunca é vencido pelo ódio; somente o amor pode vencer o ódio”.
Ghosananda, que havia conhecido profundamente o sofrimento, andou com grande serenidade pelo campo imundo. Era frequente ser dito a seu respeito que alegria e felicidade pareciam irradiar de seu ser; ou como o monge beneditino James Wiseman costuma se lembrar: “Ao olhar para o Venerável Ghosananda, tinha-se a impressão de que não apenas seu sorriso mas todo o seu corpo era radiante. Parecia que sua pele havia sido tão lavada que ela brilhava”. Ghosananda, em outras palavras, era a encarnação do sutta que distribuía para as pessoas do campo. Por dar a elas primeiramente o sutta ele não estava ignorando as necessidades físicas dos refugiados, mas estava, realmente, dando a eles um instrumento de bem-estar para toda a vida.
Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram "Passo a Passo".
Ghosananda, que havia conhecido profundamente o sofrimento, andou com grande serenidade pelo campo imundo. Era frequente ser dito a seu respeito que alegria e felicidade pareciam irradiar de seu ser; ou como o monge beneditino James Wiseman costuma se lembrar: “Ao olhar para o Venerável Ghosananda, tinha-se a impressão de que não apenas seu sorriso mas todo o seu corpo era radiante. Parecia que sua pele havia sido tão lavada que ela brilhava”. Ghosananda, em outras palavras, era a encarnação do sutta que distribuía para as pessoas do campo. Por dar a elas primeiramente o sutta ele não estava ignorando as necessidades físicas dos refugiados, mas estava, realmente, dando a eles um instrumento de bem-estar para toda a vida.
Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram "Passo a Passo".
13 Julho 2009
Titio Lua
Na última folha foi falado sobre como macacos abrem bananas, o que nos remeteu a uma reflexão sobre hábitos e apego. Em 'Jardim da Libertação', vemos como alguns mestres buddhistas das florestas incentivavam a proximidade com a natureza como uma forma de aprendizado. Não se trata aqui de idolatria a um 'naturalismo', tão comum atualmente, que realça aspectos da natureza em detrimento de outros, mas de aprender da própria natureza íntima da natureza a respeito da vida. A natureza pode ainda ser vista sob um outro aspecto, mais simbólico ou mesmo folclórico. Na Índia, as relações familiares são muito valorizadas. A terra é considerada nossa mãe, que nos alimenta e protege desde o momento em que nascemos. A lua está sempre perto como que protegendo a terra. A lua (chanda) é vista como o irmão de nossa mãe, sempre pronto a ajudar e proteger sua irmã e seus filhos. Irmãos devem estar juntos, sustentando uns aos outros nas adversidades e nas alegrias também. Chanda mama, um antiga canção de ninar indiana, na excelente iniciativa de Playing for Change. Obrigado pela dica do site, Cris!
11 Julho 2009
bananas e macacos
Quando o Buddha fala de nosso problema com o apego e dos problemas que ele nos causa, geralmente interpretamos como se tivéssemos que abandonar tudo e que isso seria a "vida buddhista". Aqui precisamos fazer uma distinção entre uso e apego. Abandonar o apego não significa que deixemos de usar. Também não significa que deixamos de ver a utilidade e valor de algo. Por ex. eu posso abandonar o apego ao tomar banho. O que isso quer dizer? Que se um dia eu chegar em casa e não tiver água, poderei passar um dia sem tomar e não sofrerei. Ou se não tiver eletricidade poderei tomar banho frio. Apego é o agarrar que gera sofrimento. É o sofrimento, para mim e para o outro, que define e molda o uso, transformando-o em mais alguma coisa para se agarrar e sofrer. Porém, pelo fato de eu não ter mais apego a banho (ou seja, não projeto minhas preferências e gostos pessoais naquilo que uso, tornando gostos e preferências essenciais para minha felicidade), isso não significa que deixarei de usar ou mesmo que não veja o imenso valor dele. O mesmo se aplica a qualquer outra coisa que toquemos com nossos sentidos e mente.
Uma outra área em que o apego nos aprisiona é na formação de hábitos. Beckett em 'Esperando por Godot" já dizia que 'habit is a great deadener'. Hábitos são comportamentos que por algum motivo se tornaram 'confortáveis', dos quais derivamos algum prazer deles e, por vezes, tememos fazer diferente, sair da rotina. O hábito tem também o poder de prender e nos impedir de aprender. Ficamos aprisionados no seguir pelos mesmos caminhos, pensar segundo os mesmos parâmetros, ver e viver como fazíamos 20 anos atrás. Não é interessante que 'aprender' é 'prender' somado do prefixo pali de negação 'a'? Ou seja, não prender é aprender.
Enfim, mesmo velhos, ainda podemos aprender alguns truques de nossos amigos macacos e depois de tanto tempo aprender como descascar bananas corretamente! O que você soltará hoje? O que aprenderá de novo?
Uma outra área em que o apego nos aprisiona é na formação de hábitos. Beckett em 'Esperando por Godot" já dizia que 'habit is a great deadener'. Hábitos são comportamentos que por algum motivo se tornaram 'confortáveis', dos quais derivamos algum prazer deles e, por vezes, tememos fazer diferente, sair da rotina. O hábito tem também o poder de prender e nos impedir de aprender. Ficamos aprisionados no seguir pelos mesmos caminhos, pensar segundo os mesmos parâmetros, ver e viver como fazíamos 20 anos atrás. Não é interessante que 'aprender' é 'prender' somado do prefixo pali de negação 'a'? Ou seja, não prender é aprender.
Enfim, mesmo velhos, ainda podemos aprender alguns truques de nossos amigos macacos e depois de tanto tempo aprender como descascar bananas corretamente! O que você soltará hoje? O que aprenderá de novo?
08 Julho 2009
A Paz é Possível - 4
Ghosananda provê um vislumbre da natureza da vigilância em uma piada sobre suas próprias conquistas acadêmicas: “Ph.D. significa Person Has Dukkha (a Pessoa tem Dukkha)”. Quando o Buddha disse, no Primeiro Nobre Ensinamento: “Toda a vida é sofrimento”, ele estava apontando para dukkha. Uma forma de explicar novamente a Primeira Nobre Verdade poderia ser colocada como “tudo na vida aparece como sendo sofrimento”. Mesmo na melhor das circunstâncias não há ninguém que consiga escapar da abrangente insatisfatoriedade da vida”. Esse ensinamento buddhista em particular não significa, por exemplo, que minimizamos o terrível sofrimento experienciado pelas famílias de Phal e Ghosananda; ele simplesmente nos pede que olhemos mais profundamente para a natureza de nosso ser e para a natureza do sofrimento.
A coragem de até mesmo olhar para o sofrimento - ou para a verdade de nossas vidas de forma honesta - para não dizer “entender” o que os buddhistas estão dizendo, é o motivo de Ghosananda, com todas as suas conquistas acadêmicas, ter estudado numa floresta da Thailândia por nove anos durante o pior período dos bombardeamentos. Apesar das terríveis notícias sobre sua família, seu professor pediu a ele para “não chorar e ser vigilante”. Ghosananda tomou isso como ponto inicial de sua prática da vigilância: “Toda sua família, todos os seus amigos se foram [Ficaram no passado]. Ele pensou sobre o futuro e viu que era completamente desconhecido. Então decidiu fazer a única coisa que poderia fazer, que era cuidar do presente tão bem quanto fosse possível”. Como o entendimento buddhista de dukkha, o “momento presente” é um outro termo que corre o risco de ser reduzido a um clichê ou ser completamente mau entendido. Daí ser um imperativo buddhista o praticar e não apenas falar sobre a prática. Sem tal prática é quase impossível, como descobriu o professor zen americano Blanche Hartman , entender o que Ghosananda dizia quando falou: “Quando conhecer o sofrimento conhecerá o Nirvana”.
A coragem de até mesmo olhar para o sofrimento - ou para a verdade de nossas vidas de forma honesta - para não dizer “entender” o que os buddhistas estão dizendo, é o motivo de Ghosananda, com todas as suas conquistas acadêmicas, ter estudado numa floresta da Thailândia por nove anos durante o pior período dos bombardeamentos. Apesar das terríveis notícias sobre sua família, seu professor pediu a ele para “não chorar e ser vigilante”. Ghosananda tomou isso como ponto inicial de sua prática da vigilância: “Toda sua família, todos os seus amigos se foram [Ficaram no passado]. Ele pensou sobre o futuro e viu que era completamente desconhecido. Então decidiu fazer a única coisa que poderia fazer, que era cuidar do presente tão bem quanto fosse possível”. Como o entendimento buddhista de dukkha, o “momento presente” é um outro termo que corre o risco de ser reduzido a um clichê ou ser completamente mau entendido. Daí ser um imperativo buddhista o praticar e não apenas falar sobre a prática. Sem tal prática é quase impossível, como descobriu o professor zen americano Blanche Hartman , entender o que Ghosananda dizia quando falou: “Quando conhecer o sofrimento conhecerá o Nirvana”.
06 Julho 2009
Sem fé e ladrão
Quem vier na aula de hoje no Nalanda BH aprenderá sobre uma das declarações mais impressionantes feitas pelo Buddha. Ela não aparece em traduções, e possui um significado duplo, somente discernível quando se conhece a língua pali e a forma como o Buddha se utiliza de recursos linguísticos para passar sua mensagem. Eis minha tradução de um dos sentidos (aquele que raramente aparece, pois os tradutores do pali para o inglês geralmente dão preferência para a versão mais 'civilizada', enquanto que os tradutores que não conhecem o pali nem mesmo estão cientes do segundo significado):
Sem fé, ingrato,
E ladrão, é este homem.
Que destrói suas oportunidades e come de seu vômito.
Este é o homem transcendente.
Não é um bom koan? Analisaremos os dois sentidos do que o Buddha realmente queria dizer.
Sem fé, ingrato,
E ladrão, é este homem.
Que destrói suas oportunidades e come de seu vômito.
Este é o homem transcendente.
Não é um bom koan? Analisaremos os dois sentidos do que o Buddha realmente queria dizer.
03 Julho 2009
em Brasilia - 2
Ontem, além de um almoço típico birmanes e outros assuntos ligados com o Theravada no Brasil pela manhã, tive também a oportunidade de passar uma ótima tarde na boa companhia do lama Sonam Sherpa, do lama Trinle e de um grupo de praticantes do Centro Budista Tibetano Kagyu Pende Gyamtso. O centro é ligado ao grande mestre Kalu Rimpoche. Tive a oportunidade de encontrá-lo pouco tempo antes dele morrer, em 1989, lá na Índia. O centro situa-se perto de Sobradinho, e já está estabelecido há muitos anos no Distrito Federal. Conta com uma ótima estrutura e aos domingos há ensinamentos e pujas por toda a manhã. Uma boa oportunidade para os moradores da cidade que queiram aprender mais sobre o Buddhismo Tibetano e mais especificamente da linhagem Kargyu.
O dia encerrou tão bem quanto começou, agora com uma meditação no Nishi Honganji e uma deliciosa comida japonesa na companhia sorridente do rev. Sato, Cris e Milton. Bom ver as oportunidades dhármicas em nossa capital.
02 Julho 2009
Para quê tantas destruições?
Tu talvez não possas compreender que aqui surja tantas vezes a pergunta desesperada: porquê e para quê é esta guerra? Porque é que os homens não podem viver em paz? Para quê tantas destruições? Estas perguntas são legítimas, mas até agora ninguém soube encontrar-lhes uma resposta satisfatória. Porque é que na Inglaterra se constroem aviões cada vez maiores, bombas cada vez mais pesadas e, ao mesmo tempo, se reconstroem filas de casas? Porque é que se gastam todos os dias milhões para a guerra, se não há dinheiro para a medicina, os artistas e os pobres? Porque é que há homens a passar fome se, em outros continentes, apodrecem víveres? Porque é que os homens são tão insensatos?
do Diário de Anne Frank
do Diário de Anne Frank
01 Julho 2009
em Brasília - 1
Uma das coisas que sinto falta dos meus tempos em São Paulo são os templos japoneses. A nave espaçosa, o cheiro do suave incenso japones no ar, as imagens douradas convidando a contemplarmos a riqueza da terra do nirvana. Foi com imenso prazer que hoje encontrei o rev. Sato e o prof. Milton Menezes. Hoje foi a aula inaugural de um curso de introduçao ao Buddhismo (e a sala estava cheia) que durará por mais onze encontros e que realmente sugiro aos brasilienses frequentarem. É uma oportunidade de entrarem em contato com o Buddhismo a partir de um grupo dedicado de pessoas realizando esse trabalho de divulgaçao do Dhamma. E o templo do Nishi Honganji também oferece aulas de judo, yoga e muitas outras coisas... O templo fica aqui: EQS 315/316 Área Especial, 05, Bloco 2, apareçam nas quartas as 20h30!
A Paz é Possível - 3
No mosteiro aprendemos a meditar da seguinte forma. Durante todo o dia, movemos a mão para cima e para baixo, para cima e para baixo, com observação vigilante, seguindo atentamente a respiração. Todos os dias, fazíamos isso - nada mais.
Maha Ghosananda
Maha Ghosananda
Durante a Operação Café da Manhã, Maha Ghosananda estudava meditação num eremitério de floresta do sul da Thailândia. Como Phal, seus pais e irmãos também foram mortos nos bombardeios e na violência que tomava o Camboja. Ao ouvir sobre o grande sofrimento sofrido pelo povo cambojano, o primeiro impulso de Ghosananda foi correr de volta ao Camboja, onde “os rios são cheios de sangue” e ajudar de qualquer maneira que fosse. Seu professor buddhista, o venerável Ajahn Dhammadaro, insistiu, entretanto, que ele permanecesse no mosteiro e aprendesse a meditar. A paz, segundo Dhammadaro, começava no próprio coração. Além disso, e antes de se envolver numa situação, conheça quando a hora para agir havia amadurecido. Quando Ghosananda soube que toda a sua família havia sido morta, ele não conseguia parar de chorar. Mesmo durante essa época, o ensinamento do mestre permaneceu o mesmo: “Não chore. Esteja vigilante. Ter a vigilância é como saber quando abrir as janelas e portas … Você não pode parar a luta. Ao invés disso, lute contra seus impulsos de lamentação e raiva. Esteja vigilante. Pare de chorar e observe vigilantemente”.
Quando os professores buddhistas falam de “vigilância” eles não estão falando de conhecimento intelectual. Na época em que Ghosananda, que havia nascido em 1929, veio estudar com Dhammadaro, ele já havia sido ordenado monge, graduado pela Universidade Buddhista de Phnom Penh, completado estudos avançados numa universidade buddhista em Battambang, e conquistado um Ph.D. da Universidade Nalanda na Índia. Ghosananda, que havia nascido em uma família de camponeses do delta do Mekong, era também fluente em numerosas línguas. Quando recebeu seu doutorado, Samdech Preah Ghosananda, recebeu também o título honorário de “Maha”, que significa, de acordo com Santidhammo, “‘grande’ e se refere a um monge que é um expert em pali e um erudito monástico”.
[continua...]
© escrito por Anna Brown, Waging Nonviolence
© traduzido por Dhanapala sob permissão da autora
Assinar:
Postagens (Atom)