"Nossas vidas são como a respiração,
como as folhas que crescem e caem.
Quando realmente entendermos
sobre as folhas que caem,
seremos capazes de varrer os caminhos
todos os dias e nos alegrar com nossas
vidas neste mundo mutável" ~ Ajahn Chah
Muito bem recebidos lá no Centro de Yoga Govardhana, onde foi desenvolvido o tema Yoga & Meditação Buddhista. O pessoal do Nalanda Curitiba relatou aqui.
Atualmente é comum encontrar buddhistas "virtuais", bem como outras pessoas, religiosas ou não, reclamarem de preços de atividades como cursos e retiros nos diversos centros religiosos. O argumento é de que isso deveria ser "gratuito" pois o Buddha, em sua época, ensinava tudo gratuitamente. E isso, em parte, é justificável, uma vez que algumas atividades de alguns lugares podem de fato aparecerem como acima do que a média do cidadão pode arcar. O argumento, no entanto é, em si, falacioso, porque não conta toda a história. As pessoas que fazem tais reclamações, em geral, não são pessoas que frequentam centros de dharma. E não frequentam, não porque os cursos e retiros são caros demais, mas porque nunca tomaram a iniciativa de investigar como poderiam participar de outras formas. Ou porque a preguiça e o torpor sempre foi forte demais para se locomoverem até eles.
Voltemos para a época do Buddha. O Buddha era capaz de ensinar gratuitamente, indo de vilarejo a vilarejo, porque nesses lugares havia pessoas dispostas a abrigá-lo e alimentá-lo. E não só a ele, mas a todos os discípulos que o acompanhavam. Não apenas havia pessoas assim nesses vilarejos, mas também ao longo do caminho. E quando um mosteiro era construído, eram tais pessoas que continuavam, diariamente, sustentando tudo aquilo. Aprendemos com esse simples fato histórico que havia uma interação interdependente, interação essa baseada no assumir responsabilidades. E tais responsabilidades não recaíam apenas aos que tinham muito dinheiro, mas a todos. Na Ásia, mesmo quem tem muito pouco ainda assim coloca suas colheres de arroz e sua concha de curry na tigela dos monges.
E sempre houve os que iam varrer, lavar, pintar, construir, etc. Hoje, no entanto, aqueles que gostam de reclamar sobre preços de atividades, buddhistas ou outras, parecem ter o inseto da reclamação os estimulando, pois reclamam por reclamar, mas quem destes vai até os centros e mosteiros para oferecer seu trabalho? Quem destes pratica o shramadana (a doação do trabalho)? Queremos atividades gratuitas, reclamamos que não temos dinheiro para pagar os retiros, e esperamos que tudo nos seja oferecido de graça. Esta é uma reclamação que acredito todos já ouviram. Entretanto, de um lado não percebemos que quando um retiro é organizado alguém deverá pagar por passagens, alimentação, aluguel de espaço, e toda uma infraestrutura por trás. Queremos estar do lado de cá, recebendo. Raramente queremos estar do lado de lá, pagando. Por outro lado, também não estamos nem um pouco interessados em oferecer nosso trabalho. Quantos daqueles que reclamam já ofereceram suas casas, uma refeição, seus braços e suas pernas para o que fosse necessário quando ouviram falar de um retiro ou professor que estaria vindo à sua região? E veremos que a resposta é surpreendentemente pequena, quase nula, entre aqueles que costumam reclamar. O contrário, na verdade, é até mais verdadeiro, e aqueles que menos reclamam e de bom grado contribuem financeiramente para atividades de dharma, são também aqueles que além disso oferecem tantas coisas a mais. Novamente, queremos estar do lado de cá, recebendo e de forma confortável. Raramente queremos estar do lado de lá, doando e suando.
Nessa semana, meu colega no Dharma Shisir Khanal do Sarvodaya, me enviou um email e um video muito interessante. Ele conta duas histórias. Uma, a de um professor que em 1958 levou seus alunos a uma pequena vila de intocáveis no Sri Lanka. Lá eles trabalharam junto com as pessoas, compartilharam das refeições, cantaram e dançaram. Então construíram escolas, casas e banheiros. Essa iniciativa, anos mais tarde, transformou-se no Sarvodaya, um movimento de inclusão social e desenvolvimento comunitário que hoje serve quinze mil comunidades.
A outra história, contada no video, ocorreu no mês passado. Um grupo de alunos do Nepal visitou um vilarejo decidido a consertar uma estrada em péssimas condições. A estrada tinha sido construída trinta anos atrás. Eles trabalharam muito, suaram, e os aldeões os alimentaram com arroz, batatas e vegetais. Eles gastaram no total uns cem reais para o aluguel do ônibus que os levou. E saíram com muito aprendizado.
Qual foi a última vez você levantou a mão e perguntou: "Como posso ajudar?" Qual foi a última vez que você espontaneamente ofereceu alguma coisa sem que alguém tivesse que pedir?
Você já chegou nesta altura da vida, meu amigo? Se a situação já chegou nisto, desista. Aplique atenção, sabedoria e um pouco de compaixão para você mesmo. Aprenda que a impermanência afeta todas as coisas, inclusive seus cabelos....
******************* "Apagando as luzes" *******************
À noite, se estamos num quarto muito iluminado e tentamos olhar pela janela, para a paisagem escura, tudo o que vemos é nosso reflexo no vidro. Não veremos nada mais do que já sabemos - a imagem de nós mesmos e aquele pequeno espaço no qual estamos confinados. Se queremos ver para além de nós mesmos, devemos desligar as luzes. Devemos diminuir nossos egos ou desligá-los completamente. Somente então seremos capazes de ver através do vidro.
Além de expositor consciente dos ensinamentos do Buddha, o prof. Cláudio Miklos (Tam Huyen Van) é também um artista de várias artes. Em diversas ocasiões ele já visitou o Nalanda para compartilhar suas habilidades no Bonsai e Origami. Ele também se dedica ao desenho e à pintura. Nossos leitores podem dar uma olhada em sua nova sequência de pinturas buddhista aqui.
Aqui um depoimento de alguém que leu "O Centro Dentro de Nós". Gostei como sintetiza os seus pontos:
Foi com alegria que recebi hoje (quarta), ainda no começo da tarde, meu exemplar d'O Centro Dentro de Nós. Já pude ler alguns ensaios, que me confirmaram uma impressão desenvolvida desde a leitura do Budismo Essencial - A Arte de Viver o Dia-a-Dia: é impressionante como o estilo de Kubose Sensei é acessível, visto que parte da experiência cotidiana de todos nós, repleta de incertezas, problemas, tristezas, alegrias. Fala diretamente ao coração e nos faz lembrar da universalidade dos ensinamentos budistas. Parabéns pela publicação de mais uma obra que certamente trará inspiração e benefícios para muitos!
Zenji Bashô, um famoso mestre buddhista chinês, disse aos seus discípulos: “Se você tem um bastão, eu o darei a você; se você não tem um bastão, eu o tomarei de você”.
O centro desta estória gira em torno desse “bastão”. O que é esse bastão de que Zenji Bashô está falando? Muito tempo atrás, os monges viajantes sempre carregavam um longo bastão, que era usado como proteção e como guia. Em alguns lugares não havia estradas; o bastão era a proteção contra as muitas serpentes e animais selvagens que viviam na selva. Também, quando um monge chegava a um rio, freqüentemente desconhecia sua profundidade; ele podia assim cruzá-lo usando o bastão para medir a profundidade. O bastão, então, representa um guia. Todos têm um guia, mesmo o homem moderno.... Sensei Gyomay Kubose
Com sucesso Ven. Uttaranyana se despede do Brasil nessa sua terceira visita ao nosso país, que ele sempre menciona, com muito afeto, ser parecido com a Birmânia em pessoas calorosas e paisagem. Deixou livros, lembranças, muitos ensinamentos, energia, animação e saudades. Na segunda ele se despediu de Minas Gerais com um "super retiro".
Para um relato mais detalhado, confiram no site do Nalanda Curitiba. E para mais fotos, no Álbum do Nalanda.