31 Janeiro 2009

todas as coisas dependem

"Em nossa prática de meditação estudamos o fluxo das experiências. Cultivamos uma mente clara e calma, prestamos atenção às coisas com vigilância, de forma que haja uma experiência direta em conhecê-las. O que se espera é que isso estimule o insight. E um dos cruciais insights dos ensinamentos do Budha é observar como todas as coisas dependem. Seja o que for que estivermos experienciando, seja o que for que estivermos conscientes, seja prazeroso ou doloroso, seja saudável ou não saudável, tudo isso depende de outras coisas. Se formos capazes de ver este fato no fluxo das experiências então não haverá nenhuma tentativa em tomar tais experiências como eu ou meu". - Santikaro em "Condicionalidade Isso-Aquilo"

30 Janeiro 2009

monges com a natureza de corvos


Peça de teatro na Thailândia critica os 'falsos' monges que usam o manto monástico mas interiormente continuam no caminho da avidez. Inspirado na pintura acima (Bhikkhu Sandan Ka - 'monges com a natureza de corvos') do pintor Anupong Chantorn que causou grande controvérsia com sua pintura, e na obra de Buddhadasa Bhikkhu "Tamra Du Phra" ("Manual Sobre Como Ver os Monges"), o diretor Teerawat Mulvilai diz que sua obra tem o objetivo de criticar e fazer surgir uma consciência sobre o estado do Buddhismo no país.

"Qual é a causa", ele diz, "para o declínio do Buddhismo na Thailândia? Não acho certo culpar outras religiões como sendo uma ameaça para o Buddhismo. Isso tem a ver com o comportamento dos monges e dos buddhistas. E as pessoas sabem porque está em declínio, mas não podem falar sobre isto, pois (o Buddhismo) é uma das mais proeminentes instituições da Thailândia".

29 Janeiro 2009

Novo personagem

A partir de hoje haverá este novo personagem aí do lado para fazer companhia. É o real responsável por escrever estas folhas. Atualmente os três livrinhos embaixo da estátua são: "Abhidhammattha Sangaha" (preparando pro retiro do carnaval), "Adeus, China - O Último Bailarino de Mao" (excelente! ganho de presente) e "Dhammapada" (trabalhando na tradução de mais um capítulo). Criação de Eduardo Nascimento, nossos agradecimentos! Achei-o simpático. O que acharam?

28 Janeiro 2009

Não-cobiça

Neste mês de fevereiro estaremos na Comunidade Nalanda recebendo o Venerável Uttaranyana Sayadaw. Particularmente na cidade de Belo Horizonte um curso de Abhidhamma será realizado, combinado com a meditação vipassana. O Abhidhamma consiste de um estudo mais profundo e analítico dos conceitos de mente e matéria, iniciado pelo próprio Buddha e desenvolvido pelos seus discípulos. É um estudo bastante interessante quando feito da maneira certa e resolve algumas questões que, por vezes, buddhistas e não-buddhistas se preocupam e se enganam em seus estudos.

Um exemplo disso é a idéia de desenvolver a não-cobiça ao longo do caminho de treinamento. A maioria das pessoas vê isso com cautela e mesmo com aversão, perguntando-se como poderiam viver sem a cobiça e os desejos a ela associados.

O Abhidhamma, porém, esclarece que, enquanto que a não-cobiça tem a característica da falta de desejo por parte da mente com relação ao seu objeto, comparando-a com a não-aderência de uma gota de água numa folha de lótus, ainda assim, não deveríamos entender a não-cobiça como mera ausência de cobiça, mas também como a presença na mente de virtudes positivas tais como a generosidade e a renúncia. Esse 'não' na frente de alguns conceitos buddhistas frequentemente não significam mera ausência, mas também as características opostas dos conceitos tratados.

24 Janeiro 2009

23 Janeiro 2009

Só medite

"Se decidir começar a meditar, não há necessidade de dizer para outras pessoas a esse respeito, ou falar sobre o porquê está fazendo isso, ou sobre o benefício que isso está causando em você. De fato, não há forma melhor de desperdiçar sua nascente energia e entusiasmo pela prática, e boicotar seus esforços de forma a não conseguirem ganhar velocidade. Melhor meditar sem fazer propaganda a respeito". - Jon Kabat-Zinn

19 Janeiro 2009

Montanha Russa

Grisson, da série de TV “CSI”, trata diariamente dos mais escabrosos e terríveis casos de crimes ocorrendo na área de Las Vegas. Qual o hobby dele? Montanha Russa.

Montanhas Russas são a epítome simbólica dos altos e baixos de nossas vidas. As pessoas anseiam por elas. As subidas são cheias de expectativas, o futuro está logo na próxima curva, mas quando você menos espera, vumpt!, uma descida monumental pode estar reservada para você. As descidas por vezes são pura queda livre, 120km/h a toda velocidade, e você nem tem tempo de respirar tamanha as forças gravitacionais te puxando para baixo; por vezes a descida tem curvas, pequenas e grandes surpresas aparecendo aqui e ali; e dependendo da montanha russa, até loopings que te viram de cabeça para baixo e você não sabe mais onde estão seus pés.



Quem já não sentiu o chão faltando sob os pés diante dos absurdos e incongruências que pessoas, coisas e situações nos aprontam? Ficamos de ponta cabeça, as pernas balançando na posição invertida; o que é este mundo? Por que tudo parece o contrário do que deveria ser? Por que o mundo parece louco e as pessoas se comportam tão egoisticamente? Por quê? Por quê?

E vem a monumental descida e uma breve subida em velocidade descomunal que parece que sua alma sairá do corpo pela cabeça enquanto o corpo despenca na direção do abismo.



Algumas montanhas russas têm tantos loopings e são tão rápidas que nem se tem tempo de perceber direito o que ocorre; é como sermos jogados num liquidificador. Alto, baixo, direito e esquerdo perdem o sentido. Referências desaparecem. E quantos hoje, de nossos companheiros na jornada da vida, não parecem assim, vivendo num liquidificador vivo, puxados pelas forças centrífugas de montanhas russas existenciais? Montanhas por vezes criadas por eles mesmos, por vezes pelas circunstancias. Nas montanhas russas, os breves momentos de empuxo, apreensão e surpresa podem parecer que não se acabam. E não adianta pedir para parar! Hoje uma senhora gritou durante todo o trajeto para parar a todos os pulmões! Mas não adianta, idapaccayata, as coisas seguem seu percurso, segundo causas e condições, e uma vez sentados e os cintos amarrados, o chicote de fogo traçará no céu todas as curvas reservadas no seu pacto inicial.



Mas por que as pessoas se sujeitam a isso? Por que homens e mulheres até pagam para terem seus cérebros trocados por seus estômagos e terem a sensação de seus corpos estarem sendo despregados de seus esqueletos? E as crianças adoram! Nós, as crianças, até vamos muitas e muitas vezes, experimentando as várias montanhas russas, torres e quedas. Talvez porque, apesar dos perigos, da falta de ar e de sua cabeça ser jogada para frente e para trás, no final tudo acabe bem, tensões são aliviadas, e exista até mesmo um prazer em ser a roda do ioiô sendo jogado, girando e girando para todos os lados.



Quando você se sentir numa montanha russa, quando as descidas parecerem longas demais e você sentir que as forças opostas são tantas que as partes de seu corpo estão a ponto de se separar, pense que de certo ponto de vista pode até haver um certo prazer nisso. A realidade de nossas vidas pode ser vista desde vários pontos de vista e alguns deles são do cômico na tragédia, do divertido na estupefação do caos, da piada inusitada nas situações insensatas e absurdas ao nosso redor. Escolha, pelo menos por vezes, esses pontos de vista. Relaxe, abra os olhos e saiba que, se seu cinto estiver bem colocado, tudo acabará bem. Sente-se e desfrute o percurso!

14 Janeiro 2009

entre cânions e nuvens

Vacas à beira do suicídio...




a beleza dos cânions...



Magnífico lugar! Um dos mais belos que já vi...

12 Janeiro 2009

por trás do morro

Muitas curvas e visões na serra:



Mais uma cachoeira no dia de ontem:



Nosso guia Cláudio, nos guiando em loonga caminhada hoje:

11 Janeiro 2009

1822

É a quantidade de metros do ponto mais alto aqui do sul brasileiro onde estamos. Fabuloso!



10 Janeiro 2009

inhames secos e obrigado

"Inhame seco era a base de nossa alimentação pela maior parte do ano. Ocasionalmente, tínhamos pão de milho e farinha, que eram artigos da reserva especial da niang (mamãe), por isso guardados para oferecer a parentes ou visitas importantes. Comíamos inhames secos, cozidos na água ou no vapor, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Era o alimento mais detestado em minha família, mas havia outros na comuna que nem com isso contavam. Tínhamos mais sorte que a maioria. Tivemos mais sorte do que os 30 milhões que morreram de fome. Os inhames secos salvaram nossas vidas".



"Apesar da pobreza, nossos pais sempre nos ensinaram a ter dignidade e orgulho, a agir com honestidade, a nunca roubar nem prejudicar os outros. O nome da família era o bem mais precioso e devia ser protegido com todo o empenho".



Os trechos acima são de um livro que ganhei nesse mês: "Adeus, China", excelente livro que conta um pouco da vida difícil na China de algumas poucas décadas atrás.

Entrar em contato com vidas menos afortunadas que as nossas é uma excelente oportunidade para desenvolver a gratidão. Raramente percebemos quanto afortunados nós somos. Quanto a mais que nós temos além do que a maioria da humanidade já teve em todas as épocas. Ainda assim reclamamos por tudo. Reclamamos pelo que temos, pelo que não temos, pelo que gostaríamos de ter, pelo que deixamos de ter. Reclamamos pelo clima, pela comida, pelo dinheiro, por tudo. Olhar mais profundamente as vidas ao redor e manter o contato com a natureza é uma boa forma de nos mantermos gratos.




fotos: ontem e hoje

09 Janeiro 2009

nas estradas das águas geladas

Por entre as pistas geladas...



e as pedras nos atingindo nas encostas montanhosas...



o caminho se abre por entre as montanhas.



Que 'perigos' estão ainda pela frente?




Estradas são eventos interessantes, por algumas seguimos, outras evitamos, muitas cruzamos. Como pessoas, coisas e situações em nossas vidas, algumas delas são apenas eventos passageiros. Outras vezes nos entretemos algum tempo num cruzamento. A bela paisagem, uma árvore ou pássaro estranho, ou apenas um ponto de descanso na longa marcha que não parará por lá (vimos até uma cuia de chimarrão gigante num dos cruzamentos!). Cruzamentos e suas ruas paralelas são apenas isso: passagens, não paradas. Por vezes também tomamos enganosamente uma dessas ruas paralelas. Não é interessante como na viagem um pequeno caminho tomado por engano vai nos levando a mais e mais paragens até um ponto em que até mesmo podemos ficar perdidos? Se não perdidos, acabamos por lugares bem diferentes de nosso propósito original. Não que haja caminhos absolutamente errôneos ou absolutamente certos, mas desvios ou corretos isso depende de nossos propósitos. O que queremos da vida? O que esperamos dela? Como, na viagem, achamos que devemos nos comportar diante daqueles com os quais nos encontramos? Um pequeno desvio - aquela estrada marginal - e onde paramos? Dizem os taoístas que não precisamos tanto encontrar o caminho, pois ele está a nossa frente, mas apenas não nos perdemos nos desvios. Quando o caminho delineado pelos nossos propósitos e consciência se abre diante de nós e é seguido, como é bom ver as paisagens que nos foram prometidas no planejamento inicial!

08 Janeiro 2009

nas terras da Imperatriz

A caminho do sul, alguns "perigos" selvagens!



A proteção ao lado...



Queríamos ter ficado aqui, mas a dona não deixou...




06 Janeiro 2009

Nissin Cohen - nota de falecimento

Nosso amigo Celso C nos informa a triste notícia:

"Lamentamos informar que o Sr. Nissim Cohen (Upasika Dhammasari) faleceu no dia 3 de janeiro de 2009 após prolongada doença. Até os últimos dias sempre demonstrou seu entusiasmo e paixão pelo Budismo enquanto trabalhava ao mesmo tempo no segundo volume de sua antologia "Ensinamentos do Buda - a Meditação Budista". Com muita Metta,Celso Carrera

O Prof. Nissin Cohen foi um incansável defensor do Dhamma, atuando na área da tradução e produção de textos por muitas e muitas décadas. Natural da Turquia, em 1958 mudou-se para o Brasil, e vivia na cidade de Jacareí/SP. Sua paixão pelo Dhamma e pela língua pali o levou a publicar textos e livros artesanais, muitos dos quais guardo com carinho em minha biblioteca. Sua é a melhor tradução do clássico Dhammapada existente em português, feita diretamente do pali. E no ano passado sua dedicação culminou na publicação da obra "Ensinamento do Buda", uma antologia hercúlea dos ensinamentos do Cânon Pali com 570 páginas de ensinamentos preciosos. Um segundo volume já estava anunciado.

Possam os benefícios do Dhamma recair sobre ele que tanto se dedicou com afinco e carinho à divulgação dos sublimes ensinamentos

05 Janeiro 2009

Ai Meu Deus

"É preciso que o Brasil assuma a grandeza que Deus lhe deu quando criou o mundo e que os nossos diplomatas nos deram quando fizeram a divisão do espaço geográfico, no século passado". É assim que o presidente do espaço geográfico chamado Brasil justificou a "necessidade" do Brasil ser uma potência militar. Ou seja, um discurso bem parecido com o do W. Bush, e que traz "Deus" para justificar qualquer idiotice e interesse financeiro dos governantes. Não é um discurso novo na política do mundo, mas infelizmente não é o último. Em pleno século 21 ainda temos que ouvir argumentos arcaicos como esse. Quer dizer que países pequenos não foram agraciados por "Deus"? Devem se contentar com sua "pequenez"? Num pais de maioria cristã (e o mesmo se poderia falar dos países muçulmanos) trazer à baila política esses argumentos pseudo-teológicos é voto certo. E isso, a que leva, além da hipocrisia evidente?

Leva, entre tantas coisas, à apologia da guerra. Olha só essa: ter uma capacidade militar é a condição "inexorável" para que um país, segundo Lula da Silva, "se transforme em uma potência e seja respeitado no mundo inteiro". Agora, o que acham vocês? Eu pelo menos consigo pensar numa dúzia de razões pelas quais gostaria de que o Brasil fosse respeitado no mundo. Gostaria de que durante minhas viagens as pessoas quando soubessem que sou brasileiro dissessem: O Brasil não é aquele país onde a felicidade per capita é uma das maiores do mundo? Legal que o Brasil defenda tão bem a Amazônia e nunca matou índio algum, hein? Sempre quis morar no Brasil pois sempre ouço como é um lugar seguro! Que povo trabalhador é o brasileiro, não? Ah, Brasil! Que país em que se lê tanto e a cultura não se resume em dança e cinema sobre bandido e ser esperto. Vocês lêem muito lá, não?

Agora, ser respeitado porque tem capacidade militar? O que é isso? Faroeste? Meu revólver é maior que o seu, portanto me respeite, Billy Jean!

Agora juntemos as duas afirmativas: "Me respeitem, porque meu revólver é maior que o seu e foi Deus quem me deu!" Ora ora...

03 Janeiro 2009

Alegria em 2009

Um 2009 de alegria despretenciosa, simplicidade, caráter e sabedoria a todos!







E algumas palavras de Goethe para começarmos o ano:


Dividir e reger, um lema razoável. Unir e liderar, um lema melhor.

Nada é pior que ignorância ativa.

Desfrute quando puder, e aguente quando precisar.

Somente pela alegria e pelo pesar uma pessoa conhece algo sobre si mesma e seu destino. Aprende-se o que fazer e o que evitar.

A formação do próprio caráter deveria ser o objetivo principal de todos.

Tão divinamente é o mundo organizado que cada um de nós, em nosso lugar e tempo, está em equilíbrio com todo o resto.

Nada tem mais valor que este dia.

Cada um deveria, todos os dias pelo menos, escutar uma breve canção, ler um bom poema, olhar para uma boa pintura e, se for possível, falar algumas palavras sensatas.

A sabedoria é encontrada apenas na verdade.