06 abril 2014

Todos os lugares são tranquilos, mas isso pouco importa se

Ontem à noite, lua no retiro
No momento estamos realizando um retiro (entre 4 e 13 deabril). Nosso centro de retiros fica numa mata, ao sopé da Serra do Rolamoça em Minas Gerais. É um lugar tranquilo, onde meditantes de todas as partes do Brasil vêm para meditar e estudar o Dhamma.

Nesta terça, dia 8 de abril sairá um novo texto no site do Nalanda que consiste de uma palestra do venerável Ajahn Chah chamada "Prática Correta - Prática Firme. Como em todas as suas palestras, os ensinamentos são muito práticos e pontuais. O trecho que abre a palestra tem muito a ver com nosso retiro agora. Ajahn Chah diz: "O Wat Wana Potiyahn aqui é certamente muito tranquilo, mas isso pouco significa se nossas mentes não estiverem calmas.Todos os lugares são tranquilos. Que alguns pareçam nos distrair é por causa das nossas mentes. No entanto, um lugar sossegado pode ser útil para nos acalmar, dando-nos a oportunidade de treinar e, assim, harmonizar com esse sossego".

E como isso é verdade! A floresta é tranquila, mas o como sentimos só depende daquilo que nós mesmos trazemos. Daí que os retiros são tão importantes, pois mostram aos praticantes aquilo que carregam. Se raivas e ressentimentos surgem durante a meditação, e a lembrança de ações e pessoas perturbam a mente, quem as trouxe para cá? As pessoas pelas quais se nutre sentimentos prejudiciais não vieram no retiro. Então, por que você as trouxe para cá? Ansiedades e preocupações por situações futuras ainda não aconteceram, mas mesmo assim você está com elas agora. Não fica claro que somos nós que trazemos os sentimentos e os carregamos para onde quer que formos?

Nestes primeiros dois dias temos estudado um esquema de dezesseis imperfeições ensinado pelo Buddha como forma de autoanálise. Temos tomado cada uma delas, categorizando-as nas três famílias de atitudes destrutivas e praticando as três etapas que o Buddha sugere para lidar com elas.

É como Ajahn Chah diz: "Reconheçam que todos vocês vieram completamente preparados para praticar o Dhamma. Estejam em pé, sentados, caminhando ou reclinados, as ferramentas que vocês precisam para praticar foram todas providenciadas, onde vocês estiverem. Elas estão aí, assim como o Dhamma". Esta é a fnção dos retiros, prover os meditantes com ferramentos úteis para praticar.

30 março 2014

Os três ímpetos:



Há um aspecto muito simples no ensinamento do Buddha relacionado com o comportamento humano. Diz-se que os seres humanos têm três ímpetos que os levam a agir de determinadas maneiras. Um é a ganância, outro é o ódio e o mais sutil e difícil que é a ilusão. Todos temos estes três ímpetos dentro de nós e Buddha disse que, a menos que e até ultrapassarmos completamente a nossa subjugação a estes apetites, ainda estaremos loucos. Relacionamo-nos com o mundo lá fora, com o mundo externo através de um mundo privado que nós próprios construímos. Noutras palavras, estamos a ser subjetivos e não objetivos.

Nosso problema é que levamos este mundo louco e subjetivo muito a sério; nós acreditamos que ele seja verdadeiro. Se vocês puderem realmente entender que estamos vivendo em um mundo assim, um mundo cheio de ilusão, cheio de pesar, cheio de ódio; que vivemos em um mundo onde os seres humanos são imperfeitos, simplesmente porque ainda são humanos; então, vocês aprenderão a ver a si mesmos e aos outros de uma forma completamente diferente. Eu diria que isso é a verdadeira amorosidade. Quando vocês virem as deficiências e falhas de outras pessoas e vocês puderem se lembrar de que vocês e elas estão vivendo em um mundo subjetivo colorido com tanta ilusão, então vocês se relacionarão com elas com mais compreensão, tolerância e compaixão.


Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda.

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23 março 2014

A maior certeza



Sobre o assunto morte e impermanência, eu gostaria de mencionar que refletir a respeito deste tema algumas vezes é muito importante. Na meditação buddhista a reflexão sobre a morte desempenha um papel de destaque na prática. No Sri Lanka, quando você visita centros de meditação na floresta, nesses lugares você vê esqueletos sendo usados por monges meditando para lembrá-los da impermanência e da morte.

A morte é a coisa mais certa na vida, e o que é lamentável é que nós nos esquececemos da coisa mais certa na vida e nos envolvemos em outras coisas que são incertas. Mas se você pode conviver com esta coisa mais certa na vida, então quando nos deparamos com ela, seja em nós mesmos ou em outros, não nos afetamos da mesma forma.

Na natureza você tem morte e vida coexistindo. Elas não são separadas. São inter-relacionadas, interconectadas. É assim que devemos ver a morte e a vida. Não vê-las como separadas, mas ver como elas se conectam, inter-relacionados. Então, idealmente, se você vive ou morre não faz nenhuma diferença. Então, você sabe como viver e você sabe como morrer.

Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda.

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16 março 2014

Jogue fora o estresse

"Quando o estresse está presente, o que realmente acontece dentro de nós? Há alguma sensação particular que vocês tenham e possam trabalhar dentro do que é chamado estresse? Ou isso é sempre relacionado a um pensamento? Então, vocês realmente podem explorar isso, investigar isso, descobrir por vocês mesmos o que é isso que chamamos de estresse e o que realmente acontece conosco quando experimentamos o estresse. É um exercício muito interessante estar com as sensações, estar com o que quer que esteja acontecendo na sua mente e corpo, sem a palavra estresse; joguem fora a palavra estresse e fiquem apenas com a experiência efetiva, o que estiver acontecendo com vocês. Então, eu gostaria que vocês experimentassem com algumas das ferramentas, algumas sugestões que estou oferecendo e descobrissem por si mesmos quais vão lhes ajudar.

Outra ferramenta é tentar estar ciente da respiração. Porque como descobrimos, às vezes nossos pensamentos, às vezes o jeito como lidamos com as sensações e assim por diante, pode realmente construir um estresse crescente. E isso é interessante, pois a maior parte do estresse é criada por pensamentos sobre o passado ou especialmente sobre o futuro, antecipando a ansiedade, fracasso e por aí vai. Então se você puder realmente estar com a realidade da respiração, porque isso está acontecendo agora, então você se dá conta de que mesmo nos poucos minutos em que gasta com a respiração, existe um completo reparo de qualquer emoção que você esteve sentindo
".

Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda.

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09 março 2014

Imperfeições levando à autotransformação

"Encorajo-os a usar as Quatro Nobres Verdades em seu dia-a-dia. Para fazer isso, temos de usar a reflexão. Vou lhes dar um exemplo: quando estão a sofrer, quando estão magoados, zangados, com raiva, desiludidos, nesse momento têm de aprender a refletir: porque estou zangado? Qual é a causa disso? Que expectativas tenho? A que modelo estou a me agarrar? Esse tipo de reflexão lhes permite ver muito claramente como estamos a criar sofrimento para nós mesmos.

E esse tipo de reflexão pode naturalmente aflorar uma autotransformação. Ele também permite observarmos a nós mesmos ao invés de olharmos outras pessoas. Então quando você aprende a refletir e olhar cada vez mais para o seu próprio comportamento, você vê mais claramente seus monstros, fraquezas, falhas e talvez alguns aspectos positivos também! Então isso vai realmente lhe ajudar em sua relação com outras pessoas, quando você vê as fraquezas de outras pessoas: Ah, eles são como eu e eu sou como eles. Então você pode ter um verdadeiro sentimento de unidade com seus companheiros seres humanos e ver que somos apenas um grupo de seres humanos imperfeitos.

O que é importante sobre essa reflexão é que você não apenas vê suas fraquezas e falhas, mas você aprenderá a ver suas qualidades positivas também. Você terá de ter um bom equilíbrio para se ver objetivamente como você é mesmo. É muito importante ver tanto as falhas como também aquilo que chamamos de sucesso
".

Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda.

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02 março 2014

Você tenta agradar aos outros?

"Penso que a razão por haver estresse em nossas vidas é a ideia de fazer as coisas perfeitamente. Tememos cometer erros e esse por si só é o motivo de preocupação, de não cometermos nenhum erro; pode também criar muito estresse. Há outro fator talvez relacionado a isso, nós nos tornamos muito conscientes do que outros pensam de nós. Temos dado muito poder a essas pessoas e, às vezes, o que outras pessoas pensam de você pode criar sua própria felicidade ou infelicidade.

Às vezes eu encontro pessoas que estão sempre tentando agradar os outros porque, como eu disse, o que os outros pensam se tornou extremamente importante, e este aspecto de tentar agradar os outros pode criar muita tensão e estresse. Então, o que aconteceu é que, por motivos diferentes, relacionado ao modo de vida moderno, muito estresse e tensão têm sido criados.

Talvez outro fator que me venha à mente é que, com o advento do consumismo e do materialismo no mundo moderno, nos tornamos extremamente dependentes das coisas externas. Devido a essa dependência mais uma vez a nossa felicidade e a nossa infelicidade são dependentes destas coisas externas. Eu gosto de ver isso como o uso de brinquedos. No mundo moderno os seres humanos criaram um grande número de brinquedos para agradarem-se, para excitarem-se, para vencerem seu tédio e solidão. Então, às vezes, é o caso de ainda que troquem de brinquedo não consigam obter qualquer satisfação.

A razão disso é a de que eles têm algo faltando em si mesmos, de tal forma que não importa o que aconteça a eles, o que quer que eles possuam, não é suficiente, algo diferente deveria acontecer. Assim, na maioria das vezes, ou em todas as vezes, as pessoas estão insatisfeitas.

Desta forma, eu vejo a meditação como se estivéssemos aprendendo a ser nossos próprios brinquedos. Assim, se pudéssemos aprender a realmente apreciar as nossas próprias companhias, se pudermos ser realmente felizes com nós mesmos, se pudermos ser realmente contentes conosco, isso seria um caminho para nos tornarmos independentes dos brinquedos externos. E, desta forma, o estresse pode ser reduzido bastante
".

Este é mais um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda:

23 fevereiro 2014

Sendo amigável consigo mesmo

Sendo amigável consigo mesmo
"Vou oferecer algumas sugestões de como vocês podem tentar praticar quando estão sozinhos. Uma coisa é quando vocês têm dificuldades e não conseguem se sentir amigáveis consigo mesmos, vocês tem que ser amigáveis para com isso. Vocês podem dizer para si mesmos: Então, agora, eu não posso meditar sobre a amorosidade, mas não há problema que eu não possa praticar a meditação sobre a amorosidade. Caso contrário, o que acontece é que resistimos a ela, nós não gostamos disso, nós odiamos isso, nós nos damos um sinal negativo porque não somos capazes de fazer isso. Mas aqui, esta é uma maneira de ser amigável para consigo mesmo, aceitando o que é.

Talvez uma outra sugestão seria, quando você tem uma experiência desagradável, talvez uma dor física, talvez uma dor mental, em que situação você pode realmente dizer para si mesmo: ‘Eu não me sinto bem, mas está bem não me sentir bem’. Então, você tem que lembrar disso em tais situações: dizer OK, aceitar, ser amigável com a situação, sem odiar, desgostar ou resistir.

Então, talvez outra sugestão: esta prática é algo que você pode tentar fazer de manhã, quando acorda, apenas por alguns minutos você pode fazer isso. Você se lembra da citação do Buddha, que se você pode praticar a meditação da amorosidade mesmo apenas durante o tempo de estalar os dedos, você é digno de ser um monge. Então, de manhã, deitado na sua cama, tente pensar nesse momento: que todos os seres estejam bem e felizes – incluindo você mesmo - apenas por alguns minutos, apenas para ter pensamentos de amor e bondade, pensamentos de amizade pela manhã.

Então outro pensamento semelhante que você pode fazer pela manhã é: Que hoje eu possa ter oportunidade de praticar a amorosidade para com outra pessoa, que eu possa ter a oportunidade de mostrar bondade para alguém hoje. Apenas ter esse pensamento, só por ter esse tipo de aspiração, já é uma ótima maneira de começar o dia.

Alguém disse algo muito simples e significativo, algo semelhante ao que o Buddha disse. Ela disse: ‘Não temos de fazer uma coisa grande para mostrar a amorosidade. Mas pequenas ações, pequenos atos de amorosidade são suficientes’. Então, se você pode ter essa abertura, e se você pode ter essa motivação, em seguida, no dia a dia, você deve se comprometer a encontrar situações em que você possa sorrir para uma pessoa, sorrir para uma criança, mostrando alguma bondade. Essas pequenas coisas, coisas tão pequenas são, de certo modo, atos de amorosidade
".

Este é um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda.

16 fevereiro 2014

Você coloca o outro num pedestal?



Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido pela equipe de tradução do Centro Buddhista Nalanda:

"O que fazemos nos relacionamentos é que colocamos os outros em pedestais; e quando as pessoas caem desses pedestais, então nos machucamos, ficamos desapontados, ficamos com raiva. E a culpa surge quando nós nos colocamos em pedestais e, depois, quando caímos daquele pedestal, sentimo-nos mal, sentimo-nos culpados. Assim, toda a prática é entender como essas feridas têm sido criadas.

Outro ponto, talvez, seja que encontrar tais pessoas possa ser uma oportunidade bastante interessante, podendo ser, até mesmo, divertida. Vocês conseguiriam ver as pessoas com as quais vocês estão bravos como se fosse a primeira vez que as vissem, sem qualquer imagem às quais vocês possam ter desde que ficaram bravos com elas? É bastante interessante a forma como nos relacionamos com as pessoas através destas velhas imagens que temos de nós mesmos e dos outros. Projetamos estas imagens nos outros e é desta maneira que algumas emoções surgem. Como eu já disse anteriormente, é um exercício bem interessante verificar se vocês conseguem ver as pessoas como se fosse a primeira vez que as vissem, percebendo então a forma completamente diferente pela qual vocês estarão se relacionando com elas.

Talvez outra sugestão que me vem à mente é a de tentar ver essas pessoas como nossos professores, como amigos espirituais, porque eles nos permitiram através de seu comportamento perceber como as feridas são criadas, e através desta realização aprender a curá-las. Então, se você puder realmente se sentir grato a essas pessoas, então novamente você vai ser relacionar com elas de uma forma totalmente diferente. Elas são nossos reais gurus
".

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14 fevereiro 2014

Feliz Māgha Pūjā!

Nos países Theravāda o feriado buddhista de Māgha Pūjā é comemorado hoje, 14 de fevereiro. Māgha Pūjā celebra quatro ocasiões auspiciosas que ocorreram no Parque dos Bambus (Veluvana), perto de Rajagaha, nove meses após a Iluminação do Buddha. Segundo o comentário ao Mahāsamayasutta, DN 20) quatro eventos maravilhosos ocorreram:

1. 1250 discípulos vieram visitar o Buddha naquela tarde sem serem chamados.

2. Todos eram Arahants, Iluminados, e todos receberam ordenação do próprio Buddha.

3. O Buddha ensinou aos Arahants os princípios fundamentais chamados de "Ovādapātimokha": "Cesse de fazer o mal, faça o que é bom, limpe a própria mente".

4. Aconteceu numa lua cheia.

Os princípios do "Ovādapātimokha" são chamados de "Coração do Buddhismo".


13 fevereiro 2014

Um Livro de Filosofia Oriente-Ocidente

Kiyozawa Manshi (1863-1903) foi um filósofo de grande importância para a modernidade japonesa por vários motivos. Consciente da necessidade de responder à filosofia feita no Ocidente, Kiyozawa buscou nas fontes japonesas as bases para sua crítica, ao mesmo tempo em que tentou igualmente uma conciliação entre o pensamento oriental e o ocidental. Ele teve também um papel fundamental na reforma e renovação da maior escola buddhista japonesa, a Jōdo Shinshū (Verdadeira Escola da Terra Pura). Por fim, ele tentou articular, filosoficamente, uma das dualidades fundamentais da prática religiosa, a escolha entre um caminho de esforço próprio e um caminho baseado na esperança e na graça vinda de fora.

O Esqueleto de uma Filosofia da Religião” se propõe discutir filosoficamente a existência da religião. Kiyozawa Manshi abre o livro com a proposta: "A questão de porque temos uma religião entre nós pode ser explicada de várias formas. Colocando de lado, no momento, as diferentes teorias sobre a origem da religião, dizemos que naturalmente temos uma faculdade ou propensão em nós para fazer surgir o que é chamado de religião. Esta faculdade ou propensão chamamos de faculdade religiosa".

Ao oferecer a tradução desta obra para o público em língua portuguesa, nosso objetivo principal é colaborar com o diálogo entre Oriente e Ocidente, em seus campos da Filosofia e da Espiritualidade. A obra de Kiyozawa Manshi representa uma das primeiras tentativas originadas no Japão no sentido de tal diálogo, e delineia algumas de suas possíveis vias de comunicação. O Prefácio e a tradução são de Ricardo Sasaki e a Introdução do Dr. Alfred Bloom.